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MP denuncia suposto esquema de corrupção em show-evento no Ceará

Público aglomerado na Expocrato 2016, no Ceará, durante um dos shows do evento - Reprodução YouTube
Público aglomerado na Expocrato 2016, no Ceará, durante um dos shows do evento Imagem: Reprodução YouTube
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

04/06/2019 13h14

O Ministério Público no Ceará decidiu denunciar empresas e ex-secretários municipais, no Ceará, por suspeita de sonegação de impostos e crime contra a administração pública.

A informação foi publicada na edição de hoje no "Jornal do Cariri". O esquema teria ocorrido em 2016 na feira Expocrato, no Crato (CE). Trata-se do maior evento agropecuário do Nordeste.

Segundo a peça do MP, há indícios de que a prefeitura teria recolhido impostos abaixo dos valores movimentados de fato na feira, graças a um suposto esquema de corrupção envolvendo empresários e ex-servidores.

As denunciadas são empresas RBA Promoções e Luan Promoções.

Esta última tem infra-estrutura de eventos e agencia estrelas como Wesley Safadão, Geraldinho Lins e também Gabriel Diniz, que morreu na semana passada, entre outros artistas. Nenhum artista é citado na denúncia, apenas a empresa.

Uma das suspeitas levantadas pela promotoria é que o parque que abrigou a Expocrato, por exemplo, tinha capacidade para até 40 mil pessoas por dia. E que, apesar de ter passado de 100 mil visitantes em apenas três dias (sexta, sábado e domingo), os organizadores informaram à prefeitura que apenas 50 mil ingressos foram emitidos nos oito dias de shows e eventos.

Ex-secretários e funcionários de Finanças, Eventos e Cultura da cidade cearense também estão citados na denúncia, que ainda precisa ser acolhida pela Justiça. O MP quer convocá-los para depoimento.

Não há nenhuma condenação. A denúncia, se aceita pela Justiça, ainda passará por várias instâncias, com amplo direito de defesa para os ora denunciados.

Esta coluna publicou com exclusividade em 2016 que uma força-tarefa, com PF e MPs, investigava um suposto esquema envolvendo servidores e empresas que promovem eventos e shows para municípios.

Um artista que foi vítima desse esquema foi Zeca Pagodinho. O fato ocorreu em 2008. Zeca teve um show supertafurado pela "máfia dos shows", sem seu conhecimento. A despeito de ter apresentado todos os documentos e recibos provando que recolheu todos os impostos, acabou sendo investigado pela força-tarefa.

O cantor e compositor foi inocentado de qualquer acusação. Na ocasião, ele disse à coluna que se sentia "perplexo" por ter sido investigado.

Há várias linhas de investigação em andamento até hoje, e não há previsão de conclusão dessas apurações.

Superfaturamento de shows, sonegação de impostos, suposto "conluio" na licitações de eventos e compra de shows (acertos entre empresas e membros do poder público dos municípios) estão sob investigação.

Outros lados

A coluna entrou em contato na manhã desta terça a Luan Promoções e a RBA Promoções, para que se manifestem sobre a denúncia.

Foram deixados recados. Até o momento, porém, nenhuma se manifestou. Se e quando o fizerem, terão suas versões incluídas neste texto.

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