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Ricardo Feltrin


Governo demite, descumpre promessa e "aparelha" TVs públicas

Logotipo da TV Escola  - Reprodução.
Logotipo da TV Escola Imagem: Reprodução.
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

07/01/2020 00h09

Jair Bolsonaro atacou muito TV Brasil —"cabide de empregos da esquerda"— durante a campanha eleitoral de 2018. Dois anos depois está fazendo o mesmo uso que criticava no petismo. E não só na TV Brasil, mas também da TV Escola.

Somente ontem quase 40 funcionários foram demitidos da TV Escola. Só no rio foram cerca de 30.

Entre outros, foram demitidos diretores dos programas "Hora do Enem", "Rede Escola", os dois apresentadores do "Salto Para o Futuro" e a apresentadora do "Rede Escola". Alguns dos demitidos tinham 20 anos de emissora.

A previsão é de que as demissões possam chegar a até 130 pessoas. Ou mais.

Porém, os cortes não têm a finalidade de economizar gastos, segundo esta coluna apurou. O objetivo do governo é substituir demitidos e programas que serão extintos por conteúdo e pessoal que o apoia.

Como o site "O Antagonista" antecipou no início de dezembro, o governo já vinha "contratando" apoiadores desde novembro —por exemplo, quando assinou contrato por três anos entre a TV Escola e a produtora Brasil Paralelo.

A TV Escola já foi considerada um modelo de excelência e símbolo da divulgação de conteúdo televisivo em Libras, a linguagem de sinais usadas por surdos. Ela também mantém a TV Ines, cujo conteúdo é 100% exibido em Libras.

Já em fase bolsonarista, a TV vem abrindo espaço para entrevistas (acríticas) com ministros de Bolsonaro, como Abraham Weintraub (ministro da Educação) e Damares Alves (ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos).

O filho do general

Ao mesmo tempo em que promove o desmonte e demissões em massa na TV Escola, o governo nomeou o jornalista recém-formado Lucas Faria para um cargo comissionado na diretoria de Jornalismo da EBC, empresa que comanda a TV Brasil.

Não teria nada demais se Lucas não fosse filho do general Alcides Valeriano de Faria Junior. Ele foi contratado por salário inicial de R$ 11 mil —quase o triplo do salário médio de um funcionário "comum" da EBC ou da TV Brasil.

A contratação foi assinada no último dia 3 de outubro pelo diretor-geral da EBC, Roni Baksys —que também é militar reformado e, curiosamente, também serviu ao governo PT, e também na TV Brasil.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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