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"Feliz e honrado", diz Aguinaldo Silva sobre volta de "Fina Estampa"

Aguinaldo Silva, autor de "Fina Estampa", que volta esta noite ao ar na Globo - Divulgacao
Aguinaldo Silva, autor de "Fina Estampa", que volta esta noite ao ar na Globo Imagem: Divulgacao
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

23/03/2020 00h36

Resumo da notícia

  • Mesmo fora da Globo novelista protagoniza fato raro na emissora
  • Autor acha que Globo escolheu reprisar novela por seu "alto astral"
  • Aguinaldo antecipou 'empoderamento' com personagem de Lília Cabral

O novelista Aguinaldo Silva simpaticamente parou de fazer uma faxina em sua casa ontem para responder a quatro questionamentos desta coluna.

Mesmo fora da Globo, na noite desta segunda (23), o novelista será protagonista de um fato raríssimo: o Brasil assistirá à reprise de sua "Fina Estampa" (2011) na principal faixa dramatúrgica da emissora líder de audiência.

O motivo é que "Amor de Mãe", de Manuela Dias, teve as gravações interrompidas devido à pandemia de coronavírus.

Não há previsão de quando as gravações serão retomadas.

A Globo já teve de reprisar novelas em horário nobre, mas por problemas políticos e devido à morte de um ator —jamais por questões de saúde pública.

Em 1975 ela reprisou um compacto de "Selva de Pedra" (1973) porque a censura militar barrou "Roque Santeiro" a poucas semanas da estreia.

Já em 83 exibiu um compacto de "O Casarão" (1976) para substituir às pressas "Sol de Verão", de Manoel Carlos, que encerrou a novela logo após a morte do protagonista Jardel Filho.

Além de "Fina Estampa", até o fim do mês Globo deverá ter todos os seus horários principais de novelas preenchidos com reprises (exceto, por enquanto, "Malhação").

É a dramaturgia nacional, em tempos de epidemia, "revendo" o próprio passado.

"Totalmente Demais" será reprisada após o fim de "Salve-se Quem Puder" (19h30). E "Novo Mundo" entra na grade com o término do renmake de "Éramos Seis" (18h30).

Mas voltemos a Aguinaldo.

Aos 76 anos, ele deixou a Globo no início deste ano após quatro décadas criando histórias que se tornaram sucessos de público, de faturamento e, na maioria das vezes, também de crítica (isso não é pouco, hein?)

Bem-humorado, diz que está feliz e honrado em ter sua novela no "Vale a Pena Ver de Novo do horário nobre" da Globo.

Acredita que escolheram "Fina Estampa" por ser uma história "Solar", "para cima" e "alto astral".

Veja as perguntas e respostas:

Como você se sente sabendo que voltará a fazer parte do cotidiano diário do brasileiro a partir desta noite, mesmo estando fora da Globo?

Aguinaldo Silva - Acho que, graças à boa vontade dos que escrevem sobre televisão, mesmo estando 'fora da Globo', continuei a fazer parte do cotidiano do brasileiro.

(porque) Todos os dias alguém publica alguma notícia a meu respeito, o que considero muito terno e carinhoso da parte de todos.

Mas o fato de ter o "Vale a Pena Ver de Novo" de uma novela minha no horário das 21h me deixou muito feliz e honrado.

Ainda mais numa hora difícil como essa para o povo brasileiro ao qual que sempre procurei homenagear nos meus trabalhos.

Com tantos autores e novelas à disposição, porque você acha que a Globo escolheu reprisar justamente "Fina Estampa"? Qual seu palpite?

Aguinaldo - Acho que a escolha de 'Fina Estampa' se deveu ao fato dela ser uma novela solar, para cima, na qual o baixo astral não tem vez e cuja protagonista, mesmo nos momentos mais difíceis, não perde a esperança.

Griselda (Lília Cabral) —uma mulher corajosa e disposta a tudo para manter a união de sua família e da comunidade em que vive— é um exemplo para todos.

A novela surgiu muito antes de a palavra "empoderamento" ter sido usada na mídia. E no entanto a história de Griselda fala disso: a batalhadora faz-tudo, que cria filhos sozinha, trabalha, paga as contas e os estudos deles e ainda por cima enfrenta preconceito —inclusive de um deles. A Griselda de 2011 ainda pode ser a musa do "empoderamento" de 2020, não?

Aguinaldo - Na verdade venho tratando desse tema do empoderamento desde os tempos de Roque Santeiro, quando fiz Lulu das Medalhas (Cássia Kiss) lutar contra o machismo e o preconceito do marido, renunciar à vida confortável de "senhora casada" e partir em busca de si mesma.

Minhas heroínas sempre foram mulheres fortes e determinadas... Assim como as vilãs. E acho que este é o motivo pelo qual elas são sempre lembradas. E Griselda, a protagonista de 'Fina Estampa', neste aspecto é exemplar.

Falando em vilã, não sei se concorda, mas acho a personagem Tereza Cristina Velmont (Chistiane Torloni) também um tanto "profética": mau caráter, odiosa? Preconceituosa e odienta daquele jeito, eu diria que me lembra um desses atuais 'haters' ignorantes (eufemismo meu) das redes sociais...

Aguinaldo - Quanto a Tereza Cristina, ela é tudo que uma vilã precisa ser.

Como você mesmo diz: mau caráter, odiosa, preconceituosa... Não foi intencional da minha parte, mas ela se torna hoje ainda mais atual por lembrar a onda de "haters" que, nos últimos tempos, prolifera como se fosse um vírus descontrolado nas redes sociais.

O ódio, como você sabe, é uma doença que não tem cura e assim sempre acaba por matar o portador.

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