PUBLICIDADE
Topo

Análise: Sikêra Jr. já é maior fenômeno da TV dos últimos 20 anos

Sikêra Jr. anuncia "live" no último dia 30 na RedeTV!  - Reprodução / Internet
Sikêra Jr. anuncia "live" no último dia 30 na RedeTV! Imagem: Reprodução / Internet
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

12/06/2020 00h54

Goste-se ou não dele, e do conteúdo que ele apresenta e também simboliza, é preciso ser justo: Sikêra Jr. já pode ser considerado o maior fenômeno da TV —aberta ou por assinatura— dos últimos 20 anos.

O apresentador do "Alerta Nacional" tem registrado números no ibope e uma mudança de comportamento do telespectador brasileiro que não se via desde a segunda metade dos anos 90, com a eclosão de Ratinho na Record e logo depois no SBT.

Mas vamos aos números do Sikêra.

Fazendo a comparação dos três meses antes de sua estreia na RedeTV com os três meses posteriores, Sikêra e o "Alerta Nacional" fizeram com que a emissora de Amilcare Dallevo e Marcelo de Carvalho saísse do traço de audiência e triplicasse seu ibope.

No Painel Nacional de Televisão (PNT), de 0,4 ponto registrados no período pré-Sikêra, a RedeTV passou para 1,5 ponto no pós.

Cada ponto nessa medição vale por cerca de 250 mil domicílios.

O apresentador histriônico arrancou a emissora de Osasco do traço na média nacional e ao mesmo tempo em sete das 15 maiores regiões metropolitanas que a Kantar Ibope mede a audiência: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife (PE), Fortaleza (CE), DF e Vitória (ES).

Em São Paulo, principal mercado da publicidade nacional, a RedeTV passou de um mísero 0,5 ponto pré-Sikêra para já respeitáveis 2,1 pontos com ele.

No Recife, o resultado mais acachapante: de 0,2 a emissora passou a dar 2,9 pontos. No Distrito Federal, de 0,4 para 2,3.

Sikêra doente, ibope baixo

O "fenômeno" pode ser ainda observado pelos números que o "Alerta Nacional" registrou quando o apresentador contraiu Covid-19 e ficou afastado da tela.

No dia 23 de abril, uma quinta-feira, o programa policialesco rendeu impressionantes (para o padrão RedeTV) 2,7 pontos de ibope na Grande São Paulo.

No dia seguinte, Sikêra não apresentou o programa por estar já com sintomas da doença.

Nesse dia o ibope já despencou para 1,7 ponto. Os substitutos do âncora só conseguiriam superar 2 pontos de ibope uma única vez até sua volta, no dia 25 de maio.

Nesse dia 25 o ibope disparou e foi a 2,4 pontos. No dia seguinte, subiu para 3,2 pontos.

Todos os números acima foram mensurados pela Kantar Ibope Media, mas obtidos pela coluna por outros meios que não a própria Kantar.

Isso porque a empresa contratualmente não pode divulgar dados dessa forma.

O homem, o mito

José Siqueira Barros Júnior tem 52 anos e nasceu em Palmares, no Pernambuco.

Ele apresenta o "Alerta Nacional" em Manaus, na TV A Crítica. A RedeTV fez um acordo com a emissora manauara para retransmitir parte do programa todos os dias.

Ele começou a carreira como radialista. É casado e tem quatro filhos.

Apoiador de Bolsonaro e da direita, foi um dos grandes defensores da abertura do comércio em Manaus em pleno auge da pandemia.

Isso quando a capital do Amazonas era a cidade com maior número proporcional de infectados e mortes.

Depois que contraiu Covid-19, chegou a postar um vídeo, humilde, abatido, dizendo que se enganou e subestimou a doença.

Logo depois já postou outro atacando a "esquerda" e enaltecendo a cloroquina. Enfim, Sikêra sendo Sikêra.

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook, Instagram e site Ooops

Ricardo Feltrin