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"É preconceito dizer que o povo não é capaz de entender piada", diz Melhem

Maurício Farias, Fabiana Karla e Marcius Melhem - Tata Barreto/TV Globo
Maurício Farias, Fabiana Karla e Marcius Melhem Imagem: Tata Barreto/TV Globo

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

09/04/2016 07h00

Responsável por inserir um humor moderno e ousado na Globo,  Marcius Melhem,  redator do "Tá no Ar" e  do "Zorra";  que estreia a segunda temporada neste sábado (9), defendeu a forma inteligente de fazer comédia nos programas e lamentou que algumas pessoas sugiram que o povo não compreende as piadas,  como José Bonifácio de Oliveira Sobrinho,  o Boni,  disse em entrevista recente.

"O público entende o que é bom. É um preconceito muito forte dizer que o povo não é capaz de entender uma piada e falar que o humor inteligente não é popular. Geralmente quem fala isso não é capaz de entender o povo", contou Melhem na coletiva de imprensa que aconteceu nesta terça-feira (4) no Rio de Janeiro.

O cenário atual político do Brasil será um tema abordado pelo programa e Marcius Melhem não está preocupado com as possíveis críticas do público, como aconteceu recentemente com o "Porta dos Fundos", o que gerou revolta em algumas pessoas que sugeriram um boicote ao canal de humor no Youtube.

"Acho ruim a questão do boicote, até porque o 'Porta' fez esquetes de um lado e do outro. Humor é chumbo livre, o que as pessoas acharem, paciência, a gente começa o debate e vida que segue. Acho que nesta história que está acontecendo no país não tem mocinho, nem bandido, lado bom ou lado ruim. A gente vai mostrar, criticar e satirizar questões de todos os lados".

A segunda temporada promete surpreender o público com piadas atuais e com mais liberdade no texto. "A primeira temporada é sempre um salto no escuro. Quando vem a aceitação na segunda a gente buscou se aprofundar no que funcionou, corrigir algumas coisas. Você começa a conhecer melhor os atores.  É uma temporada de amadurecimento", disse Marcius.

As piadas com determinados assuntos relacionados a grupos sociais que sofrem preconceito como gays, negros e mulheres não estão proibidas no "Zorra", mas serão feitas focadas no lado oposto.

"Estamos conectados com o momento do país de muita intolerância, então é importante você não jogar contra isso. É legal você não oprimir quem já está oprimido, é legal você zoar o homofóbico, por exemplo", diz Marcius.

O diretor de núcleo, Mauricio Farias, explicou que os personagens do programa não terão bordões que eram comuns e fizeram sucesso no "Zorra Total".

"A questão é que o bordão está inserido num formato, num gênero de fazer humor, não há humor melhor, nem pior".

Elenco do "Zorra" se reúne durante lançamento da segunda temporada - TV Globo/Divulgação - TV Globo/Divulgação
Elenco do "Zorra" se reúne durante lançamento da segunda temporada
Imagem: TV Globo/Divulgação


Com o novo formato, o "Zorra" tem espaço para veteranos do humor como José Santa Cruz,  Paulo Silvino e Agildo Ribeiro. Celso Taddei,  que assina a redação final do programa com Melhem e Gabriela Amaral,  destacou a importância de contar com esses artistas veteranos do humor.

"Não poderemos deixar de contar com nosso patrimônio do nosso humor. Como são grandes artistas,  eles também  mudaram seu tom e estão perfeitamente encaixados neste novo humor".

Além disso,  alguns nomes já conhecidos do público pediram para fazer parte do elenco: Fernando Caruso, Érico Brás, Otávio Muller e Maria Clara Gueiros foram alguns deles.

"Estou superfeliz de estar voltando. É outro programa, outra linguagem, não tem nada a ver com o 'Zorra Total'. Ainda estou me adaptando, mas é uma delícia, estou felicíssima",  comemorou Maria Clara.

No elenco estão ainda: Fabiana Karla, Dani Calabresa, Thalita Carauta, Werder Rodrigues, Luís Miranda, dentre outros.