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Invencível? Poder de Luke Cage também pode ser maior fraqueza em série

James Cimino

Colaboração para o UOL, em Los Angeles

30/09/2016 07h30

O que seria do Superman sem a kriptonita? É só pensar: o cara voa, tem visão de calor, visão de raio X, força descomunal, ou seja, seria indestrutível – não fosse pela kriptonita. Um dos heróis em quadrinhos mais próximos de Superman no quesito invencibilidade é Luke Cage, que nesta sexta (30) chega ao catálogo da Netflix para compor o futuro quarteto da série “Defensores”, que terá também Demolidor, Jessica Jones e o ainda inédito Punho de Aço.

Como já foi possível ver na primeira temporada de “Jessica Jones”, Luke Cage tem um poder que o torna praticamente invencível. Com força descomunal e pele impenetrável, sua maior arma também pode ser sua maior fraqueza como protagonista.

Nos primeiros sete episódios da série liberados para a imprensa e que o UOL já assistiu, o que mais se vê é Luke Cage apavorando inimigos humanos sem superpoderes – os traficantes, proxenetas e chefes de gangue do Harlem, em Nova York –, tendo como maior preocupação o que vestir depois de ter tantas roupas perfuradas por balas.

O timing não podia ser mais apropriado. Enquanto nos Estados Unidos se debate o abuso de poder da polícia e os assassinatos de negros durante batidas, é simbólico termos um super-herói negro à prova de balas, como disse o criador da série, Cheo Coker, durante a San Diego Comic Con 2016.

A série também chega atendendo aos requisitos de representatividade, tão discutidos neste ano no Oscar, apresentando um elenco principal apenas com atores negros e latinos (inclusive a brasileira Sonia Braga, que interpreta a mãe da enfermeira Claire).

Para não dizer que não tem nenhum branco, um dos policiais que está investigando um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o vilão Cornell Stokes (Mahershala Ali) e de sua prima e falsa caridosa Mariah Stokes (Alfre Woodard) está lá para cumprir a cota.

Divulgação/Netflix
À prova de balas: Luke Cage tem pele impenetrável Imagem: Divulgação/Netflix
Outro ponto impecável e imperdível de “Luke Cage” é o clube de jazz/blues/hip hop/R&B que serve de fachada para seus negócios sujos, mas que na série é aproveitado para mostrar novos e antigos talentos da música afro americana em performances que compõem todo o clima da blaxploitation, movimento cultural dos anos 1970 que, aliás, foi a inspiração da HQ.

Ou seja, como tudo na parceria Marvel/Netflix, “Luke Cage” é muito bem filmada, fotografada e dirigida e os atores são impecáveis em suas criações. Mas depois da terceira sequência de porradaria, até o espectador começa a torcer para que o primeiro herói negro a ser protagonista em uma série de TV tome uns sopapos. Não tem nada mais cansativo em termos de roteiro do que alguém que vence todas fácil, não é mesmo? E Luke Cage vence tão fácil que em determinado momento ele apenas chega no pico da bandidagem e pergunta: “Vocês já sabem o que vai rolar, né?”

Portanto, fica a pergunta: qual será a kriptonita que derrubará esse gigante? Se o ritmo da série não for além disso, corre-se o risco de ver um personagem que diferente de seus pares não tem vulnerabilidades físicas e, portanto, não tem freio nem grandes conflitos.

Não que o gancho do sétimo para o ainda inédito oitavo episódio não deixe o espectador chocado e curioso para a sequência, mas a solução pelos roteiristas encontrada até o momento praticamente invalida o superpoder do personagem. Afinal, ele é impenetrável a tudo ou só mais ou menos? Haverá desafios à altura de seus poderes ou não? A saber (ou não) nos próximos episódios.

veja trailer de "luke cage"

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