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Marcelo Tas critica falta de infantis na TV aberta: "Suicídio artístico"

Orlando Oliveira/AgNews e TV Cultura
Marcelo Tas era do elenco do Castelo Rá-Tim-Bum, como o Telekid Imagem: Orlando Oliveira/AgNews e TV Cultura

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

17/11/2016 07h00

Já se passaram mais de 20 anos desde as estreias de “Rá-Tim-Bum” e do “Castelo Rá-Tim-Bum”, mas o nome de Marcelo Tas continua associado a programas infantis. Em parte, porque ele continua a fazê-los – no último dia 7, estreou a terceira temporada do “Papo Animado”, no Cartoon Network. Mas também porque os dois programas do passado ainda estão muito presentes na lembrança do público, que inclusive o aborda para criticar a falta de atrações voltadas aos pequenos na TV aberta.

“Toda semana eu sou cobrado disso na rua, é impressionante”, diz o jornalista ao UOL. “Eu vou botar gasolina no posto, vem um frentista, geralmente um cara no seu primeiro emprego, uns 20 e poucos anos, e fala: ‘Ah, você é o cara da [TV] Cultura, do ‘Rá Tim Bum’ e tal. Eu assistia desde criança, hoje tenho um filho e não posso deixar ele na frente da TV aberta’", conta o apresentador, para quem os canais abertos viraram "um trem fantasma".

Atualmente, só Cultura e SBT dedicam parte expressiva de sua programação diária às crianças. A Globo, que foi lar de programas como a “TV Colosso”, eliminou totalmente os infantis de sua grade em 2015, quando o “É de Casa” estreou no lugar do “TV Globinho”. Para Tas, que vê a situação com "profunda tristeza", isso é efeito direto de uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) que, em 2014, considerou abusiva toda publicidade direcionada ao público infantil.

Apesar de ser a favor da regulamentação da publicidade, ele avalia que foi equivocada a forma como a resolução foi colocada, o que, afirma, criou uma “devastação quase amazônica” na programação. “Quando você simplesmente proíbe propaganda para criança, o que você fez? Você aniquilou a produção de programas para crianças da TV aberta. Se você reparar, foi há pouco tempo [que a programação diminuiu], e a razão é muito óbvia: como o carro pode andar sem gasolina? A publicidade é o que move a produção dos programas da TV aberta, ao contrário da TV por assinatura, que tem outros recursos, tem outras formas de cobrar os telespectadores.”

Divulgação
Marcelo Tas na terceira temporada do "Papo Animado", do Cartoon Network Imagem: Divulgação

Assim, acredita ele, ocorreu até uma elitização da programação infantil: “Milhões de brasileiros que não têm recursos pra ter a TV paga ficaram sem opção de conteúdo de qualidade infantil. Acho uma coisa criminosa o que aconteceu."

O jornalista e apresentador acredita que a ausência de programação infantil hoje pode impactar até no futuro da TV. “Quem será o espectador do futuro das emissoras abertas?”, questiona. “Eu não conheço nenhuma criança que assista televisão [aberta] mais. Acho que a televisão pode estar dando um tiro no pé mesmo, um suicídio artístico e comercial, sem falar no prejuízo para a sociedade mesmo, de você não ter um conteúdo para o seu filho."

Crianças espertas

Tas não vê a falta de espaço na TV aberta como a única dificuldade para quem quer criar conteúdo para crianças. A evolução dos pequenos, que hoje têm à disposição histórias cada vez mais complexas, também é desafiadora. “As histórias do Cartoon não são absurdas? Cara, como as crianças entendem essas narrativas tão complexas? E tem um nível de humor também”, diz ele, que acredita que algumas das animações atuais têm tramas inclusive mais sofisticadas do que clássicos do passado.

“Vai criando um universo de tudo é possível, mas que tem uma lógica, não é um ‘tudo é possível’ de quando chegou ‘Star Wars’ e você falava: ‘Nossa, os caras estão no espaço!’. ‘Star Wars’ é quase chapeuzinho vermelho perto das narrativas que a gente vê hoje pra criança.”

Por causa disso, o apresentador busca se manter atualizado. “Por mais que eu tenha experiência de falar com criança, eu tenho que ralar muito para manter viva essa comunicação, porque eles vão ficando cada vez mais espertos, e talvez eu ficando mais burro, não sei”, conta, aos risos, acrescentando que teve a ajuda de sua filha Clarice, então com 8 anos, quando começou a desenvolver o “Papo Animado” junto com o Cartoon, em 2014.

“Agora que o desafio vai ficando cada vez mais gostoso, cheio de interrogações. Para onde que esse pessoal está indo? Isso me deixa mais entusiasmado ainda de pensar coisas para eles”, completa.

Talk-show e futuro na web

Apesar de já estar próximo do talk-show com o “Papo Animado”, série de programetes no qual entrevista personagens de desenhos, Tas afirma não ter a intenção de seguir no caminho aberto por Jô Soares e trilhado por nomes como Danilo Gentili e Fábio Porchat. “Olha, talk show é uma coisa que você não escolhe fazer. Você tem que ser convidado a fazer”, afirma. “É uma coisa que eu sempre observei. Tem que haver uma total identidade do conteúdo entre a emissora e você, que pra mim é o que o Jô conseguiu.”

A disponibilidade de tempo para se dedicar a outros projetos também é um motivo para o jornalista se manter longe do formato, ainda que ele não descarte fazer um programa do gênero no futuro. “Gosto muito dessa liberdade de formato, de poder fazer uma coisa curtinha aqui -- participei, por exemplo, da cobertura das Olimpíadas do SporTV, que é um canal que eu gosto muito -- e de pensar em outras coisas”.

Tas, inclusive, já trabalha em sua próxima ideia: um programa no YouTube que terá “educação e diversão” como seus dois eixos principais. Sem revelar mais detalhes sobre a empreitada, o apresentador diz apenas que já se reuniu com uma equipe da empresa na sede dela, na Califórnia (EUA), e que está animado com o projeto.

A possibilidade de uma interação mais instantânea com o público, que não é tão imediata na TV, é um dos principais atrativos, de acordo com o jornalista. “É uma coisa que você vai conversando, dialogando e vendo o que está rolando, o que estão curtindo, você vai abrindo janelas. É diferente da TV, em que você cria um projeto, compra, vai demorar seis meses para ficar pronto. A internet é uma coisa mais instantânea. Você vê o resultado logo e pode ir mudando o curso das coisas.”

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