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Após Pabllo Vittar, Gloria Groove boicota grife de empresário pró-Bolsonaro

A drag Gloria Groove - Divulgação
A drag Gloria Groove Imagem: Divulgação

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

03/09/2018 18h10

Depois de Pabllo Vittar, foi a vez de Gloria Groove anunciar boicote à marca de sapatos do empresário e designer catarinense Victor Vicenzza, que manifestou apoio público ao candidato Jair Bolsonaro (PSL), seguindo e curtindo publicações do presidenciável nas redes sociais.

"Uma marca de sapatos muito popular entre as drag queens e as travestis apoiando um candidato homofóbico. Jesus está voltando! Os sinais estão se cumprindo! E você, está pronto?", ironizou a cantora em sua rede social. Decepcionada, ela afirmou que o boicote é necessário para o empresário "aprender".

"Sensação de frustração? Sim. Decepção? Com certeza. Lamentável? Muito. Mas sabe o que é pior? Eu não aguento mais ter que viver para boicotar as coisas e as pessoas de que gosto. Lembra muito quando sou obrigada a boicotar os rappers dos quais eu gosto porque têm atitudes homofóbicas. É aquela sensação de surra de mãe, sabe? Dói mais em mim do que em você ter que te boicotar, mas é para você aprender", desabafou.

Neste final de semana, Gloria se apresentou em Manaus e Porto Velho, onde Bolsonaro cumpriu agenda de campanha e esteve muito perto de encontrar a cantora. "O candidato em questão está na mesma cidade que eu, hospedado no mesmo hotel, quiçá no mesmo andar!", disse a drag, que só usou os sapatos Vicenzza nos shows porque os levou antes de saber que o dono da grife apoiava Bolsonaro.

"O sapato que eu estava usando em show antes, essa semana chegou ao fim da sua vida, que é até de outra marca, e aí eu peguei esse da marca em questão, coloquei na mala para usar nos shows esse final de semana e boom! Dei de cara com a polêmica, então estou meio que me sentindo rodeada pelo assunto", explicou.

Gloria Groove no clipe "Bumbum de Ouro" - Divulgação - Divulgação
Gloria Groove no clipe "Bumbum de Ouro"
Imagem: Divulgação

"Vicenzza deu tiro no próprio pé"

Ao UOL, Gloria Groove conta como era sua relação com Vicenzza antes dele declarar voto em Bolsonaro: "Éramos muito parceiros. Eu o conheci enquanto consumidora, e depois cheguei a ganhar alguns presentes em troca de divulgação". A drag ressalta que o boicote não é apenas por um par de sapatos, e sim por toda a representatividade LGBT.

"Se você tem um público-alvo ou uma comunidade que te apoia e escolhe um representante que considera esta comunidade indigna --ou de segunda classe--, é um contrasenso. No capitalismo podemos escolher para quem estamos dando o nosso dinheiro. Existem sim outras confecções de sapato tamanho grande no Brasil, a demanda é altíssima. Um público cada vez maior, do qual o Victor simplesmente abriu mão", analisa. Para ela, Vicenzza deu um tiro no próprio pé ao apoiar o presidenciável.

"Cadê o setor de marketing dessa empresa, gente? Muito me preocupa o quanto as pessoas caem num discurso terrorista e anticomunista com tamanha facilidade. A marca em questão não observou as necessidades da comunidade para a qual ela trabalha, e por isso provavelmente terá que mudar o seu público-alvo para se reestruturar. Não vai ter mais bicha dando biscoito", afirma a cantora, que se junta a Pabllo e outras representantes da causa LGBT contra os discursos de Bolsonaro.

Gloria Groove em seu mais novo clipe, "Bumbum de Ouro" - Divulgação - Divulgação
Gloria Groove no clipe "Bumbum de Ouro"
Imagem: Divulgação
"Nesse momento, este candidato --que já deveria ter sido cassado por seus discursos criminosos, legitima um ódio cotidiano que tem aparecido cada vez mais. Pessoas que não tem mais vergonha de expressar racismo, sexismo, homolesbotransfobia e outras discriminações, simplesmente porque se sentem representadas por este discurso de ódio e intolerância. A trajetória política do candidato mostra inegável perseguição às minorias. Não passarão", critica.

Em sua rede social, a cantora alertou seus seguidores para o "pink money", como são chamadas as marcas que se aproximam da causa LGBT para faturar: "Assim, lindas: vigia, viu? Que é aquela famosa causa de cifrão, um cifrão bem rosa, assim, brilhante". À reportagem, Gloria admite já ter caído neste marketing e orienta seus fãs a pesquisar as marcas a fundo.

"Já caí, é horrível e difícil de identificar. Levei calote, vi gente usando minha imagem em momentos oportunos e até me chamando para trabalhar de graça. Diariamente as marcas e seus prestadores de serviço têm sido denunciados. Uma maneira de identificar o oportunismo é observar a história da marca. Saber se ela tem políticas de inclusão, conhecer a estética do marketing, saber se emprega e paga um contingente da minoria em questão, por exemplo", ensina.

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