PUBLICIDADE
Topo

Televisão

"Chorava ao ler o roteiro", diz atriz sobre cena de estupro em "Assédio"

Stela (Adriana Esteves), Vera (Fernanda D"Umbra), Eugênia (Paula Possani), Daiane (Jéssica Ellen) e Maria José (Hermila Guedes) em cena de "Assédio" - Ramón Vasconcelos/Divulgação TV Globo
Stela (Adriana Esteves), Vera (Fernanda D'Umbra), Eugênia (Paula Possani), Daiane (Jéssica Ellen) e Maria José (Hermila Guedes) em cena de "Assédio" Imagem: Ramón Vasconcelos/Divulgação TV Globo

Jonathan Pereira

Colaboração para o UOL

17/10/2018 06h47

Hermila Guedes, que interpreta uma das vítimas de abusos sexuais cometidos pelo médico Roger Abdelmassih retratados na série "Assédio", contou no "Conversa com Bial" de terça-feira (16) o quanto foi difícil gravar a cena em que sua personagem, Maria José, é estuprada.

"Depois de um procedimento no consultório ela vai ao banheiro e é violentada. Foram três dias gravando só essa cena. Para mim, como atriz, era a cena mais temida. Li o roteiro e perguntava como ia ser feito, o que seria mostrado, que tom teria, como me colocaria no lugar dessa personagem porque, mesmo de mentira, o sentimento, a sensação é real", recorda Hermila, que pesquisou o relato das vítimas reais na internet.

LEIA TAMBÉM

"Eu travava e chorava ao ler o roteiro. O horror de ler aquilo. A empatia à Maria José era imediata, foi muito fácil me envolver, pelo fato de ser mulher e ser mãe. É uma junção de várias mulheres. Além da violência sexual, teve a questão do preconceito com o fato de ela ser nordestina e as condições financeiras dela".

A diretora Amora Mautner relata como procurou fazer as gravações de forma que não incentivasse mais estupros na vida real. "Essa cena dura dois minutos no ar. Tentei muito não sexualizar. Nunca tem o ponto de vista dele, sexual. Se fosse por esse caminho, [a série] seria um contra-serviço. Fui muito para o caminho de morte, porque depois disso essas mulheres tiveram uma morte simbólica e renasceram", explica.

Ela fala o que esperar da produção, disponível no Globoplay. "Não é sobre o monstro estuprador, é sobre a potência das mulheres e o que elas fazem quando se ajudam. Não é uma série panfletaria, mas é fundamental nos dias de hoje", defende.

Televisão