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No "Altas Horas", Erika Januza lembra ofensas raciais no Dança dos Famosos

Divulgação/TV Globo
Erika Januza participa do Altas Horas Imagem: Divulgação/TV Globo

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

13/01/2019 09h43

A atriz Erika Januza e a cantora Karol Conká foram as convidados do programa "Altas Horas" deste sábado (12) e comentaram sobre racismo e ofensas que receberam por causa da cor da pele.

Erika contou que sofreu muito com baixa autoestima e alisava os cabelos. "Meu cabelo foi alisado durante 28 anos. Tenho 33. Hoje entendo que era uma forma de me proteger atrás de alguma coisa, que eu não sabia o que era. Descobri quando me encontrei como mulher negra. Porque parece que você precisa desse momento para entender: peraí, é o meu cabelo, é a minha essência, é minha raiz literalmente, é me aceitar como sou", disse Erika.

A atriz comentou ainda como superou a baixa autoestima. "Meu cabelo não tem que ser bonito pra ninguém. Não tenho que mudar pra ficar bonita. Posso sim querer usar hoje liso, outro dia fazer trança, mas minha essência é o cabelo crespo. E não posso me esconder atrás de uma química pra ser uma pessoa melhor, mas por muito tempo me escondi atrás disso".

Erika lembrou ainda do início da carreira, quando tentou ser modelo. "Tentava ser modelo e dava errado, mas mesmo assim, minha mãe me apoiava, ia comigo pra inúmeros testes que davam errado e ia pra inúmeros concursos que eu não ganhava, mas ela sempre estava ali comigo."

Reprodução/TV Globo
Karol Conká posa para fotos com Serginho no Altas Horas Imagem: Reprodução/TV Globo

A atriz falou também sobre as ofensas raciais que recebeu enquanto estava participando do Dança dos Famosos, no Domingão do Faustão. "Desde o início do 'Dança', eu recebi um primeiro e-mail bem longo. Foi um misto de raiva e tristeza. Chorei e apaguei. E começaram e chegar outros. Mas aí eu não apaguei. Guardei tudo. Me chamaram de tudo que você pode imaginar. Eram críticas a minha cor, a minha performance... Peguei tudo e levei para a polícia", contou.

"As pessoas tem que entender que tem que respeitar os outros e não podem ficar impunes".

A cantora Karol Conká lembrou uma história da infância, quando alisava os cabelos. "Eu alisei meu cabelo por 11 anos. Eu alisava para ficar igual a minha mãe, que alisava para ficar igual a minha avó. Com 16 anos eu parei de alisar. Eu conheci um menino branco, que foi meu primeiro namorado e ele disse para mim: 'Você tem uma testa grande, um sorriso largo e um nariz largo. Isso são características do negro. O cabelo negro veio para combinar com isso. Ele me dizia que eu ficaria mais bonita com ele crespo".

Karol relembrou quando deixou o cabelo curtinho e ganhou vários apelidos na escola: "Me chamavam de Vera Verão, Pelé, Lacraia. Até hoje me chamam assim. Mas, eu vi que meu namoradinho me achou linda com esse cabelo. E eu me achei linda. E eu vi que eu sou maravilhosa com meu cabelo assim".