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Grupo Chespirito reprova paródia de "Chaves" com Bolsonaro na Globo

"Tá no Ar" traz personagem inspirado em Jair Bolsonaro no quadro "Vila Militar do Chaves" - Reprodução/Globo
"Tá no Ar" traz personagem inspirado em Jair Bolsonaro no quadro "Vila Militar do Chaves" Imagem: Reprodução/Globo

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

22/01/2019 14h50

A paródia de "Chaves" produzida pela Globo e exibida no "Tá no Ar" chegou ao Grupo Chespirito, detentor dos direitos da série mexicana. A empresa, gerida pelo filho de Roberto Gómez Bolaños, criador e protagonista de "Chaves" e "Chapolin", reprovou a "Vila Militar" e não gostou de a emissora brasileira ter associado a imagem do programa a opiniões políticas. Na sátira, Marcelo Adnet interpretou o presidente Jair Bolsonaro como dono da vila.

"O Grupo Chespirito não aprova, nem compartilha das opiniões ou pensamentos apresentados no esquete do 'Chaves' exibido no programa 'Tá no Ar'. Respeitamos as correntes de pensamento e a liberdade de expressão, no entanto não nos associamos a qualquer opinião e conceito geral e político expressado pelos atores caracterizados como os personagens do 'Chaves'", informou o Grupo Chespirito, em nota publicada em suas redes sociais nesta terça-feira (22).

"Por fim, queremos agradecer o carinho compartilhado pelo público brasileiro, sempre tão apaixonado pelos personagens de Roberto Gómez Bolaños", concluiu a nota.

Bolsonaro chama Chaves de "vagabundo" em sátira do "Tá no Ar" - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Bolsonaro chama Chaves de "vagabundo" em sátira do "Tá no Ar"
Imagem: Reprodução/TV Globo
Em "Vila Militar do Chaves", Jair Bolsonaro diz para Seu Madruga (Marcius Melhem) "já ir se acostumando" a pagar os 14 meses de aluguel.

O capitão da reserva ainda chamou de "vagabundo" Madruga, por estar desempregado, Chaves (Márcio Vito), por não ter casa, e Professor Girafales (Danton Mello), por ensinar "ideologia de gênero, kit gay e darwinismo". E também disse que o pai de Chiquinha (Luana Martau) "deu uma fraquejada" ao ser pai de menina, referência ao comentário do presidente sobre sua caçula.

O UOL apurou que a "Vila Militar do Chaves" foi idealizada antes da posse de Bolsonaro, mas o texto recebeu atualizações durante a gravação, há duas semanas, como a frase "menino veste azul e menina veste rosa", da ministra Damares Alves, e o "motorista do filho" do presidente, Fabricio Queiroz.

Segundo a Globo, a réplica da vila levou uma semana para ser construída. Já as roupas foram produzidas em três dias. A Televisa e o Grupo Chespirito não foram consultados para a elaboração do cenário e do figurino.

"A peça mais complexa foi a camiseta do Chaves, pois mandamos estampar igual à do Chaves original. As listras precisavam ser praticamente iguais, e sabia que não encontraria no mercado para comprar", explicou a figurinista Alessandra Barrios ao UOL.

Em entrevista ao jornalista Mauricio Stycer, do UOL, Dani Ocampo, "chefe de redação" do humor da Globo, afirmou que os roteiros do "Tá no Ar" precisam estar prontos até julho, sete meses antes da estreia do programa, para dar início à pré-produção.

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