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Patricya Travassos troca o humor pela "sofrência" em novela das 6

Patricya Travassos é Grace em "Espelho da Vida" - Globo/João Miguel Júnior
Patricya Travassos é Grace em "Espelho da Vida" Imagem: Globo/João Miguel Júnior

Guilherme Machado

Do UOL, em São Paulo

21/02/2019 04h00

Cria do grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone, que também revelou nomes como Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães, Patricya Travassos tem uma longa lista de personagens de comédia. Da irreverente Mary Mattoso de "Vamp" (1991) à interesseira Irma em "Os Mutantes" (2007), a atriz deu vida a diversos tipos hilários. Agora, após um hiato de quase 10 anos em que virou apresentadora, retorna à Globo na pele de duas figuras sofridas em "Espelho da Vida".

Grace tem embates diários com a filha, Isabel (Alinne Moraes), que ela vê se perder cada vez mais por conta de sua obsessão com Alain (João Vicente de Castro). Já Graça, sua vida passada, sofre pela desilusão de ter traído a melhor amiga, Piedade (Júlia Lemmertz), com o marido dela, Eugênio (Felipe Camargo), e vive desiludida com uma vida que não pode ter.

Grace e sua neta, Priscila (Clara Galinari) - Globo/ Raquel Cunha
Grace e sua neta, Priscila (Clara Galinari)
Imagem: Globo/ Raquel Cunha
O resultado tem sido muitas lágrimas e elogios à atuação de Patricya, em especial por conta de sua parceria com Alinne. Para a atriz, porém, fazer drama não é tão difícil quanto a comédia.

"Sou basicamente dramática, como pessoa. Quando eu era pequena eu era dramática. Eu acho que todo ator de humor é um ator dramático no fundo, ele brinca com o drama e faz o drama pela tangente do humor. Todo ator de humor consegue fazer drama bem e o contrário não é assim. O ator dramático às vezes não saber fazer humor porque tem um timing, uma coisa muito pessoal", diz ela ao UOL.

Para a atriz de 63 anos, é boa a oportunidade de experimentar outros registros dentro da televisão.

"Eu transito bem pelas duas coisas. Televisão é uma coisa meio preguiçosa. Se você dá certo em um personagem, eles sempre te chamam para fazer alguma coisa dentro daquele leque. Eu também gosto de fazer comédia no teatro, na televisão, me diverte. Agora eu também gosto muito de um drama, principalmente quando ele está bem embasado", afirma. 

"Pra mim não é difícil, é só uma questão de entrega. Você se entrega para aquilo e te emociona. Nós somos seres emocionais, quando a história está dentro de você, você é veículo dela".

Espiritualizada, mas não religiosa

Patricya também vive a encarnação passada de Grace: Graça - Globo/ João Miguel Junior.
Patricya também vive a encarnação passada de Grace: Graça
Imagem: Globo/ João Miguel Junior.

Sofrendo ou não, Grace sempre tenta encontrar as respostas para seus dilemas na novela das 18h na espiritualidade. A personagem possui dons mediúnicos e é capaz de ver "além dos olhos", sendo capaz de sentir presenças. Em sua vida passada, Graça, ela já tinha a habilidade e conseguia ler o futuro nas cartas.

Para Patricya, que se define como uma pessoa espiritualizada mas que não segue nenhuma prática religiosa, os assuntos abordados pela trama de Elizabeth Jhin não são só parte da ficção.

"Sou uma pessoa espiritualizada, muitas das coisas que a novela aborda são coisas que tenho conhecimento, já li ou estudei. Não sou uma pessoa religiosa. Às vezes as pessoas acham que as duas coisas são as mesmas, não são. Sou uma estudiosa do assunto porque sempre me interessou saber quem somos nós, para onde vamos. Isso é uma coisa que tenho desde a infância. Não tenho dom de nada, mas respeito muito e acredito nas pessoas que têm", declara a atriz.

Patricya também celebra o desafio de retornar às novelas com o desafio de duas personagens em duas encarnações, ainda mais considerando que uma se passa nos anos 30:

"É difícil e ao mesmo tempo é legal, um desafio no meio da novela você de repente entrar em um personagem que você não tem conhecimento prévio, A gente trabalha durante muitos meses e surge um dado novo, dá uma mexida no acomodado. É um outro comportamento, a forma de falar é mais requintada".

A dobradinha é compartilhada com Alinne Moraes, que vive sua filha nas duas encarnações: Dora no passado e Isabel no presente.

"Tem uma tensão e uma dinâmica nas nossas cenas que eu gosto muito. Eu nem sei se a autora pensa assim, mas acho que a personagem da Graça foi um pouco uma Dora quando foi mais jovem, ela queria uma ascensão social, teve um caso com o coronel. Eu desenho que ela se identifica um pouco com a filha, mas já está na desilusão. Na segunda vida acho que ela vem e se reaproxima da filha e se toca que é a única pessoa que pode ajudá-la a sair daquele looping e sempre repetir os mesmos erros", define ela.

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