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Ex-Globo, Izabella Camargo pede demissão de ministério e ganha homenagem

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

2019-04-18T16:55:05

18/04/2019 16h55

Resumo da notícia

  • A jornalista aceitou em dezembro convite para compor equipe de Marcos Pontes
  • Izabella Camargo foi demitida da Globo após voltar de uma licença médica
  • Ela é portadora da Síndrome de Burnout, caracterizada pelo estresse extremo

A ex-apresentadora de telejornais da Globo, Izabella Camargo, que foi demitida da emissora após voltar de uma licença médica, pediu demissão da equipe de comunicação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

A jornalista, que é portadora da Síndrome de Burnout, foi convidada pelo ministério para compor a equipe do ministro e astronauta Marcos Pontes.

Ela chegou a ser homenageada pelo ministro em um vídeo em sua página do Facebook, no qual Pontes manda uma mensagem para Izabella e mostra imagens da jornalista em trabalhos no órgão. O vídeo foi exibido durante o lançamento do programa Ciência na Escola, ontem, em Brasília.

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook
"Compreendo que o problema que você tem é complexo. Confesso que não conhecia antes. Mas fiquei triste, lógico, quando vi seu pedido para sair, mas compreendo suas razões. É importante cuidar da saúde, ter esse tempo para você", disse o ministro na mensagem.

Ao UOL, Izabella disse que só vai se manifestar sobre sua saída do ministério após a publicação no "Diário Oficial da União", mas afirmou que o pedido de demissão é para se cuidar. "É para preservar minha saúde".

Izabella, que fazia o "Hora 1", de Monalisa Perrone, diz que trabalhar na madrugada a prejudicou. Ela contou que o problema só piorou.

O transtorno se caracteriza por um estresse devastador, extremo, superior à capacidade pessoal de lidar com questões do dia a dia de modo eficiente, e é relacionado exclusivamente ao trabalho. Estima-se que cerca de 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores brasileiros sofram com a doença, segundo dados da International Stress Management Association (Isma).

"Fiz muitas terapias alternativas, psicólogas, cuidando de dentro e de fora. Muita respiração e meditação. Além de tomar café, energético, procurei um endocrinologista e comecei a tomar remédio para me dar mais energia. Não me orgulho disso porque foi a pior coisa que eu fiz. Eu ultrapassei o meu limite para dar conta do que eu não tinha controle. Extrapolei o meu limite", afirmou a jornalista na época.

Izabella se recordou dos sintomas. Segundo a jornalista, os médicos constataram que a falta de sono era um problema sério para ela. "Comecei a ter crises de choro, crises nervosas. [Pensei] 'Ué, mas eu faço meditação todo dia, pilates, RPG, uso floral... Por que estou tendo taquicardia?", lembrou.

A jornalista, que relatou a pressão que ela tinha consigo mesma para fazer o seu melhor na profissão, disse que trabalhou na madrugada por mais de seis anos e que, no último mês na antiga emissora, acordava a 1h da manhã. "Não começa de um dia para o outro. A corda arrebenta quando você passa do limite", afirmou. "O meu corpo começou a acumular um déficit que era provocado pela falta de sono", relatou.

Ela disse que sempre se cuidou por estar na televisão, mas garantiu que nunca fez loucuras pela beleza. "Sou uma mulher normal, que tem quadril, bumbum, culote, celulite. Eu me cuido para entrar na casa das pessoas, mas nada em exagero", afirmou.