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Deborah Secco reage a crítica sobre Surfistinha: "Orgulho de ter feito"

Deborah Secco em Bruna Surfistinha - Reprodução/Divulgação
Deborah Secco em Bruna Surfistinha Imagem: Reprodução/Divulgação

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

19/07/2019 17h52

Protagonista do Bruna Surfistinha, Deborah Secco rebateu a crítica feita pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) que usou o filme como exemplo de casos em que, na avaliação dele, não devem ser feitos com dinheiro público.

"Fiquei um pouco chocada de o filme Bruna Sufistinha ter sido colocado nesse lugar, porque é um filme que retrata não só a história real de uma garota de programa [Raquel, conhecida como Bruna Sufistinha), mas de outras milhares de mulheres que se encontram nessa situação", disse a atriz, que recebeu vários prêmios pela atuação da personagem, entre eles o Grande Prêmio Brasileiro de Cinema.

"Tenho muito orgulho de ter feito esse filme. Com ele aprendi muitas coisas, e espero que tenha mexido com as pessoas também", afirmou a atriz ao UOL.

O filme foi usado como exemplo por Bolsonaro ontem em uma cerimônia dos 200 dias do atual governo onde ele assinou um decreto que transferiu o Conselho Superior de Cinema, responsável pela formulação da política nacional de audiovisual, do Ministério da Cidadania para a Casa Civil. Na ocasião, ele afirmou que não admitiria que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha.

Hoje, o presidente voltou a falar da mudança que pretende realizar na agência, como a criação de "filtros" para aprovação de projetos. "Vai ter filtro, sim, já que é um órgão federal. Se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine. Privatizaremos ou extinguiremos. Não pode é dinheiro público ficar usado para filme pornográfico", falou o presidente fazendo referência ao filme.

Segundo Deborah, o objetivo do filme era debater o assunto da prostituição do ponto de vista das mulheres que vivem essa situação.

"O que a gente queria com o filme era debater. Saber como elas lidam com isso e como a população lida com essa realidade. E uma das funções da arte é essa, é fazer com que todos consigam debater, resolver questões que por milhares de vezes são esquecidas ou escondidas", afirmou a atriz.

O filme, lançado em 2011, teve cerca de 2,1 milhões de espectadores, fez 400 empregos diretos e indiretos e rendeu R$ 20 milhões. De impostos diretos e indiretos, como por exemplo, pipoca e custo com estacionamento, foram arrecadados R$ 10 milhões.

"Defendo muito que cada vez mais possamos falar sobre diversos temas porque não adianta esconder o que existe. Seria ótimo que nenhuma mulher passasse por uma situação como essa, de se vender para sobreviver, mas a realidade não é essa. Precisamos sim falar de determinados assuntos e procurar soluções através de debates, nenhuma realidade deve ser escondida", concluiu Deborah.

O diretor do filme, Marcus Baldini, também discordou do presidente. Em entrevista ao Blog de Mauricio Stycer ele ressaltou os números do filme e falou da importância para a indústria nacional de cinema.

"É um projeto importante tanto pela questão artística quanto pela econômica. O filme ajudou a fortalecer a indústria audiovisual e foi recompensado com o interesse do público que assim se aproxima do cinema brasileiro."