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Paola Carosella: "Posso ter a vida boa, mas existe algo chamado empatia"

André Giorgi/UOL
Imagem: André Giorgi/UOL

Do UOL, em São Paulo

15/08/2019 17h47

Paola Carosella voltou a responder críticas em seu Twitter hoje (15). Na rede social, a chef respondeu ao comentário de um seguidor que colocou em xeque sua "crítica a tudo, apesar de ter uma vida ótima" e sua insatisfação e "humor piorado após a saída do PT" do governo.

A jurada do reality MasterChef Brasil começou os tuítes dizendo não ser permanentemente insatisfeita com tudo, reafirmando a existência de coisas boas acontecendo em meio as recentes críticas feitas por ela.

"Considero perigosíssimos, para o desenvolvimento sadio de qualquer sociedade, o não respeito à diversidade. O não respeito à cultura as raízes e a história brasileira, a banalização da vida e a sistematização da morte de inocentes, na sua maioria negros e pobres", começou.

Paola continuou destacando projetos consistentes e estruturados de inclusão social e empregabilidade: "Eu fico triste quando escuto um ministro falar que está muito preocupado com a demonização da sexualidade masculina num país que registra um estupro a cada 11 minutos e é sabido que esta conta é baixa. Pois a maioria das vezes as vítimas não registram, pois os estupros acontecem dentro de casa e pelos próprios familiares. Eu fico muito triste quando morrem inocentes assassinados por uma guerra ao tráfico que acontece no morro, na favela, mas não acontece na casa do magnata".

Seguindo a linha de raciocínio, a chef citou o PT: "Sou extremamente crítica do PT, mas eles não são governo. A corrupção é imunda nojenta e mata e deve ser criminalizada com toda a força da lei, para todos por igual e por uma justiça imparcial".

"Posso ter uma vida boa mas existe algo que chama empatia, por melhor que seja a minha vida não deixo de sentir e sofrer na pele dos que não podem se dar o luxo de um trabalho digno, o luxo de serem respeitados, o luxo do estudo, da possibilidade de escolher", complementou ela.

Paola diz ainda que aplica suas melhorias para a sociedade no seu trabalho: "O meu projeto de formação de ajudantes de cozinha já inseriu no mercado de trabalho formal mais de 200 pessoas excluídas e vulneráveis. (trabalho junto à OIT e Min. Púb. do Trabalho). Aponto soluções em Brasília onde tenho ido mais de uma vez para falar de agroecologia e a Política Nacional de redução de Agrotóxicos. Aponto soluções ao privilegiar agricultores familiares que cuidam da terra e da água ao agronegócio desenfreado e ultrapassado".

Paola concluiu o pensamento dizendo não ser socialista, ao contrário da forma como a chamam, e estar pensando primeiramente no futuro do mundo que a filha irá viver.

"Sou a favor e sei que é possível conviver com as duas agriculturas, que o agro é necessário e importante e gera riqueza mas a reforma agrária é necessária. A agroecologia e o agro tradicional podem conviver gerando mais riqueza! O mundo quer comida limpa".

"Não sou socialista, sabe por que? Por que nenhum partido me representa! Por que sou crítica de todos! Por que a esquerda - que defende muitas das pautas que eu defendo -- fez feio na América Latina! E não concordo com radicalismos nem endeusamento de líderes. E reclamo porque não se arruma um problema usando as armas e os recursos que já se demonstraram falhos mil vezes na história! Quero governos justos políticas justas democracia verdadeira respeito! Quero saúde pública e educação pública para depois, sim, falarmos de meritocracia".