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Ex-BBB Mara diz que foi punida pela UFMG por participar de reality da Globo

Reprodução/GloboPlay
Imagem: Reprodução/GloboPlay

Felipe Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

20/09/2019 16h39Atualizada em 21/09/2019 09h20

Professora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), a cientista política Mara Telles, do BBB 18, diz ter sido considerada culpada por quebra do regime de dedicação exclusiva na universidade por sua participação no reality show da TV Globo, em 2018.

A dedicação exclusiva é um tipo de regime de trabalho em que professores atuam integralmente na formação dos alunos. Portanto, quem adere a esse modelo fica impossibilitado de realizar outras atividades remuneradas.

A professora escreveu nesta semana um longo desabafo sobre o assunto em suas redes sociais e, procurada pelo UOL, mostrou-se indignada com o que classifica como injustiça e perseguição. Na mesma época em que foi anunciada como participante do BBB, Mara foi denunciada por violar a dedicação exclusiva, levando a UFMG a abrir um processo administrativo para investigar o caso.

"A dor da injustiça é incomensurável. Foi muito dolorido para mim. Eu e meu departamento contribuímos muito para a produção da ciência no país. Trabalho em prol da universidade. Soa para mim como uma punição porque fiz algo que estava fora do quadrado. Isso pode me levar a um processo de descredibilização perante a comunidade científica, além de ter sanções mais duras", afirma.

Procurado pela reportagem, o advogado de Mara, Lucas Mourão, sustenta que a ex-BBB não quebrou o regime de dedicação exclusiva pois não prestou um serviço remunerado quando aceitou entrar no reality show. Além disso, ela diz que, durante o confinamento, onde permaneceu por uma semana, estava em período de férias da universidade.

"O contrato da Mara com a Rede Globo era de cessão de direitos de imagem e de voz. Ela não estava prestando um serviço para a Globo. Instauraram um processo administrativo disciplinar, que foi aberto em novembro de 2018. O que alegamos é que o processo já havia prescrito", afirmou o advogado. "A alegação foi acatada e foi recomendado que o processo fosse arquivado em razão da prescrição. Não teve um julgamento, inocentando-a ou condenando-a", explica.

Mesmo com o reconhecimento pela universidade de que o processo havia prescrito, o advogado afirma que Mara foi informada de que em sua ficha cadastral constaria a violação da dedicação exclusiva: "Uma vez que o processo estava prescrito não poderia ser aplicada uma punição, sendo que nem se chegou a uma condenação".

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da UFMG não se posicionou até o momento sobre o caso.

"Perseguição política"

Mara Telles questiona as motivações para as denúncias e afirma ter sido julgada de forma moralista por ter participado de um programa de TV, além de ter sido alvo de preconceito por parte de intelectuais mais conservadores.

"As denúncias tratavam de questões morais. Ninguém estava preocupado se de fato eu violei a dedicação exclusiva, porque sou uma das pessoas mais produtivas do meu departamento", afirma. Ela reproduz uma das denúncias, em que uma professora de outra universidade diz: "Questiono se a sua participação em um reality show que celebra a estupidez humana é condizente com o decoro e o comportamento esperado de uma funcionária pública e federal, professora de uma instituição de tão grande relevância".

Reconhecida publicamente por suas posições políticas de esquerda, a ex-BBB, que deu um grito de Fora Temer ao vivo ao ser eliminada do programa, acredita ser alvo de perseguição por setores de dentro da UFMG.

"A primeira proposta [do departamento que avaliava o processo] era que eu devolvesse um porcentual do meu salário de dedicação exclusiva [o referente às horas que ela passou no programa], o que corresponderia a 60% do que recebo. Isso para mim é perseguição política, porque a pena é totalmente desproporcional e pouco razoável ao suposto crime, por eu ter ficado uma semana no programa durante as minhas férias", diz.

Errata: o texto foi atualizado
O título anterior desta reportagem, "Ex-BBB Mara diz que foi punida por reality da Globo: 'Perseguição política'" dava a entender que a ex-BBB teria sido punida pelo reality da Globo. Na verdade, Mara diz ter sido punida pela UFMG por ter participado do reality da Globo. O título foi alterado.