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Filho de Bira guarda última música do pai: "Perdi um ídolo"

David Reis, filho de Bira, acompanha velório do músico em São Paulo - Francisco Cepeda/AgNews
David Reis, filho de Bira, acompanha velório do músico em São Paulo Imagem: Francisco Cepeda/AgNews

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

22/12/2019 18h24

Filho caçula de Bira, David Reis estava com o pai na manhã deste domingo, quando o ex-baixista do Sexteto de Jô Soares sofreu uma parada cardíaca decorrente de um AVC isquêmico e morreu. Em entrevista ao UOL, durante o velório do músico, o publicitário de 39 anos afirma que o pai estava lúcido no período de internação, mas ficou com o corpo fragilizado após uma pneumonia.

"Foi tudo muito rápido. Ele teve o AVC no dia 13. Preservamos muito a informação. Mesmo ele sendo uma figura pública, não queríamos expor. Recebi muitas mensagens de amigos, companheiros e colegas, e vi muitas homenagens de amigos de profissão, do mundo artístico, muita gente de quem sou fã prestando homenagem ao meu pai. Agradeço também por todo esse reconhecimento. Meu pai, com certeza, está muito feliz pelos amigos que tem", declara o filho de Bira.

Único membro da família a falar com a imprensa —a mulher e os outros três filhos não vão se pronunciar —, David Reis acredita que o pai, espírita praticante, está em um bom lugar por tudo que construiu em vida.

"Pela crença dele, pela nossa crença, eu creio que agora ele está muito feliz, ele está muito bem acompanhado. Ele está no lugar certo, pela pessoa que ele foi, pela alegria que representava, pelo tanto que ele fazia. Ele só prosperava o bem. É um orgulho. Estou perdendo um pai, um professor, um ídolo. O que fica são essas boas recordações, essa alegria de viver que transbordava nele e transborda nos filhos e netos", elogia, emocionado.

Ubirajara Penacho dos Reis, o Bira, no "Sexteto do Jô" - Reprodução / Facebook - Reprodução / Facebook
Imagem: Reprodução / Facebook

David Reis guarda o último trabalho artístico de Bira. O filho caçula convidou o pai para tocar contrabaixo em um projeto ao lado do DJ David Rocha e do produtor Darick Gyorgy.

"Ele foi superprestativo, tocou, ficou feliz. Foi muito bom para ele, que estava já há um tempo longe da música, ter esse contato novamente, parecia que estava na ativa. Esse foi o último contato com a música que o meu pai teve, em 13 de novembro, exatamente um mês antes do AVC. Ainda não lançamos a música. Quando lançar, realmente, nem sei como vou me comportar emocionalmente", prevê.

Cerimônia familiar

O corpo de Bira foi velado neste domingo, no Morumbi (zona oeste de São Paulo), sob os olhares tristes de amigos e familiares e sem a presença dos fãs que o conheceram nos programas de Jô Soares.

O velório começou por volta das 17h em uma funerária particular e bem estruturada, com café grátis e lanchonete à disposição. A família de Bira impediu emissoras de TV e fotógrafos dentro do local. Imagens do caixão também estavam proibidas.

Aos poucos, outras pessoas próximas de Bira e sua família chegaram ao velório, entravam na sala e saíam aos prantos após se despedirem do artista. Na primeira hora, pouco mais de 40 amigos e colegas apareceram no local.

A família de Bira decidiu não se pronunciar sobre a morte do músico. Entrevistas dentro da funerária foram proibidas, e David Reis foi escolhido como único porta-voz para falar com a imprensa.

Do Sexteto, grupo que embalou as entrevistas de Jô no SBT e na Globo, o trompetista Chico Oliveira foi o primeiro a comparecer ao velório. Derico, que toca saxofone, está no interior de São Paulo e deverá chegar à noite. Tomati, o guitarrista, mora em Miami (EUA), mas nesta semana voltou ao Brasil por questões de seu visto.

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