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Miami vira paraíso para famosos terem bebês americanos; saiba por quê

Karina Bacchi, Thammy Miranda e Claudia Leitte estão entre os famosos que escolheram Miami para ter filhos - Montagem/UOL
Karina Bacchi, Thammy Miranda e Claudia Leitte estão entre os famosos que escolheram Miami para ter filhos Imagem: Montagem/UOL

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

10/01/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Thammy Miranda engrossou a lista de famosos que escolheram Miami para ter um filho americano
  • Karina Bacchi e Claudia Leitte também deram à luz na cidade norte-americana
  • O tratamento completo, incluindo hospedagem, internação e parto, não sai por menos de R$ 120 mil
  • Todo bebê que nasce nos Estados Unidos é cidadão americano, mas só pode pedir residência permanente aos pais a partir dos 21 anos

Thammy Miranda tornou-se pai na última quarta-feira (8) em Miami, no mesmo hospital em que Karina Bacchi deu à luz seu primeiro filho. Claudia Leitte também embarcou até os Estados Unidos para o parto de sua caçula. A cidade, localizada no estado da Flórida, virou um paraíso para famosos e endinheirados terem bebês americanos.

Quem quer realizar o parto em solo norte-americano precisa de uma boa quantia de dinheiro. Um investimento que não sai por menos de R$ 120 mil - essa quantia pode ser bem maior dependendo de algumas intercorrências. O valor inclui hospedagem, aluguel de veículos e imóveis, atendimento médico e internação. Famílias ricas do Norte e Nordeste brasileiros veem em Miami uma opção melhor e mais próxima do que São Paulo, por exemplo.

Desde 2014, o médico brasileiro Wladimir Lorentz auxilia mulheres que desejam engravidar e dar à luz na Flórida. Karina, Claudia e Andressa Ferreira, mulher de Thammy, procuraram o pediatra, que mora nos Estados Unidos há 35 anos e criou o programa Ser Mãe em Miami. O serviço atendeu a 240 mulheres no ano passado e 1.400 desde sua criação.

"Convidei a Karina para conhecer o nosso serviço. Temos um grupo no WhatsApp com os pacientes e ela se deu conta de que estavam muito felizes, e se sentiu segura. Estou certo de que se ela tiver o segundo bebê será conosco também. Thammy procurava serviços de fertilização. Ofereceremos esse serviço com uma tecnologia avançada para que as pessoas engravidem mais rápido. Dito e feito, Andressa engravidou na primeira. Claudia Leitte tem uma história diferente. Uma família baiana que mora aqui e é muito amiga dela achou que a cantora deveria me conhecer, e ela gostou", diz Lorentz ao UOL.

Claudia Leitte com os três filhos - Reprodução/Instagram
Claudia Leitte com os três filhos
Imagem: Reprodução/Instagram
Além da sugestão dos amigos, Claudia optou por Miami para conciliar com filmagens que ela realizaria na cidade norte-americana. "Ela vai nascer nos Estados Unidos porque tenho uma agenda em andamento aqui fora e tivemos que nos adaptar. Já parei de fazer shows, mas tenho diversos projetos que estou tocando junto com a minha equipe", justificou à revista Marie Claire.

O serviço, destinado inicialmente a brasileiros, se estendeu a pacientes de outros países latino-americanos, como Venezuela e Colômbia. A mulher do jogador colombiano Fredy Guarín, volante do Vasco, também optou por dar à luz em Miami.

Bebês americanos

Todo bebê que nasce nos Estados Unidos, segundo a Constituição local, é um cidadão americano. Embora o presidente Donald Trump tenha endurecido as regras para a imigração, o governo aprova a procura cada vez maior de famílias que desejam ter filhos norte-americanos —afinal, serão futuros eleitores e pagadores de impostos.

O pediatra que atende às celebridades brasileiras afirma que nenhuma delas escolheu Miami com o objetivo de ter um bebê cidadão dos Estados Unidos, embora muitas famílias tentem burlar a legislação e até planejam esperar que a criança complete 21 anos, idade mínima para solicitar aos pais o Green Card (residência permanente).

Thammy Miranda e Andressa Ferreira posam em ensaio gestante - Reprodução/Instagram
Thammy Miranda e Andressa Ferreira posam em ensaio gestante
Imagem: Reprodução/Instagram
"As principais dúvidas não são médicas. Quem vem pergunta sobre a legalidade da criança, documentação, se o bebê que nasce aqui é americano ou não. Os brasileiros não tinham esse costume e eram guiados por muitos mitos, como o de que ter filho aqui é ilegal. Havia muita suspeita e medo da qualidade, mas nos estabelecemos", diz o médico criador do serviço.

O programa destinado às futuras mães de bebês americanos também conta com um suporte jurídico para quem tem dificuldades com o visto (permissão para entrada nos Estados Unidos). Grávidas são liberadas com o visto de Negócios e Turismo.

Claudia Leitte, por exemplo, teve problemas ao tentar solicitar o visto por intermédio de uma empresa e foi reprovada. O advogado do Ser Mãe em Miami, Alexandre Piquet, a socorreu.

O profissional ressalta que as mulheres que desejam dar à luz em Miami, inspiradas nas celebridades, não devem ter como objetivo principal a conquista da cidadania americana, porque este é um direito exclusivamente do bebê.

"Eles fazem essa diferenciação porque os pais têm a criança e voltam ao país de origem. Querem coibir a mãe que entra de maneira ilegal, ou entra legalmente e fica ilegal e espera a criança completar 21 anos para pedir o Green Card. O benefício para os pais é receber um tratamento médico de qualidade. Havia uma clínica que incentivava mães russas a virem para ter benefícios da saúde, e forjavam documentos para isso. Mães mexicanas ou latinas cruzam a fronteira e ficam aqui ancoradas nos filhos, por isso são chamados de 'bebês-âncoras'", explica o advogado.

Plano controverso

Ter um bebê em solo americano gera críticas, principalmente nos Estados Unidos. A principal delas é a nacionalidade. Há quem questione o fato de alguns pais usarem a técnica para evitar uma possível deportação, como foi dito pelo Tampa Bay Times. Mesmo que a constituição não garanta que familiares possam permanecer no país por uma criança americana.

Tem quem questione a prática pela falta de pagamento de algumas pessoas que iriam até o local, conseguiam os filhos e não pagam a conta. Para evitar isso, os hospitais têm exigido previamente um comprovante de condições para pagar ou um seguro.

Em casos de emergências médicas, os valores previstos para o parto também pode criar uma complicação para as pacientes, como uma internação, por exemplo.

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