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Irmã de Marielle critica ausência de mulheres negras em série ficcional

Anielle Franco, irmã e Marielle Franco, lamenta ausência de negras em série - Reprodução/Facebook
Anielle Franco, irmã e Marielle Franco, lamenta ausência de negras em série Imagem: Reprodução/Facebook

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

10/03/2020 23h36Atualizada em 11/03/2020 12h02

Anielle Franco, irmã de Marielle e presidente do instituto que leva o nome da vereadora assassinada, voltou a criticar a ausência de mulheres negras na obra ficcional sobre o crime que está sendo produzida. Ela se posicionou sobre o assunto após a exibição somente para convidados dos dois primeiros episódios de um documentário sobre a sua irmã, no Museu de Arte do Rio, hoje à noite. As duas obras são do Globoplay.

Em conversa com o UOL, ela disse ter revelado o descontentamento em um almoço no sábado com José Padilha, que irá dirigir a obra. "Eu costumo preferir que as histórias de mulheres negras sejam contadas por mulheres negras. Também falei para ele que não gostei do Mecanismo [série da Netflix sobre a Operação Lava Jato]".

O assunto veio à tona após um posicionamento de Erick Brêtas, diretor de produtos e serviços digitais da Globo, que se posicionou sobre a polêmica envolvendo a indicação de Padilha para a série ficcional após a exibição dos dois primeiros episódios do documentário.

Ele comentou a onda de ataques após a indicação de Padilha e as críticas relacionadas à falta de representatividade de negros na produção. "A nossa premissa é que haja realizadores negros. Os convites estão sendo feitos".

Em seguida, Anielle foi chamada para falar com o público. "A crítica à ausência de mulheres negras foi minha", disse.

Anielle também falou para a plateia sobre o que Marielle representa para a sociedade. "Ela mostra que a mulher negra pode chegar onde ela quiser. Mas será que se ela não fosse assassinada, estaria hoje em um telão do Globoplay? Provavelmente, não. É inadmissível que a gente a reduza só a vereadora assassinada. Ela é muito mais do que isso", disse. Em seguida, o público no local se levantou para aplaudi-la.

Os dois primeiros episódios do documentário, dirigido por Caio Cavechini, trazem depoimentos inéditos de parentes e amigos. Entre eles, o da assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu ao atentado. Os episódios mostram, ainda, relatos como o de Marcelo Freixo, e de Mônica Benício, viúva de Marielle.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou a chamada na Home Page e do que deu a entender o texto, as críticas de Anielle Franco são sobre a produção de uma série ficcional sobre a irmã, Marielle. Já os episódios apresentados à imprensa na terça-feira (10) foram do documentário sobre a vereadora. São duas obras diferentes, ambas produzidas pelo Globoplay. As informações foram corrigidas.

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