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Âncora da CNN critica produto da Bombril: 'Pesquisem racismo estrutural'

Luciana Barreto, âncora da CNN - Reprodução/YouTube
Luciana Barreto, âncora da CNN Imagem: Reprodução/YouTube

Do UOL, em São Paulo

17/06/2020 15h54

Depois de a Bombril ser acusada de racismo nas redes sociais por lançar uma esponja de aço inox com o nome Krespinha, uma associação ao cabelo de pessoas negras, a jornalista Luciana Barreto, âncora da CNN, usou seu espaço na bancada para comentar o caso e criticar o racismo estrutural existente no país.

Luciana alertou para quantas garotas já ouviram comparações entre seus cabelos crespos e Bombril - como ficou conhecida a esponja de aço da empresa. E como isso sempre foi feito com conotações negativas, impactando na autoestima de pessoas negras.

"Posso dizer que qualquer pessoa, branca ou negra, sabe que chamar o cabelo de meninas negras na escola de Bombril era muito comum como ofensa. Então, meninas negras ressignificaram a palavra; passou a ser cabelo crespo", relembrou Luciana.

"Agora as pessoas voltam a ser ofendidas por ter seus próprios cabelos, que são da sua natureza, com uma forma de pejorativa de ser chamado. Isso faz parte do racismo estrutural", explicou a jornalista, que pediu às pessoas para pesquisarem e lerem sobre o termo, que explica as nuances do preconceito no Brasil.

Luciana, que fez mestrado sobre racismo, comentou então sobre como isso abala crianças, desde sua criação, na imagem que elas têm de si.

"Crianças não podem mais conviver com o racismo estrutural, porque entra no psicológico, que entra no que a gente chama de auto-ódio. Odiar seu próprio corpo, odiar sua própria cor, odiar seu próprio cabelo. E isso está no mercado de trabalho, no que você é aceito, como você é aceito ou não", afirmou ela, concluindo. "Não é permitido racismo, porque é crime."

krespinha - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O produto e a repercussão

Hoje, por conta do produto, a hashtag #BombrilRacista foi um dos assuntos mais comentados do Twitter hoje pela manhã.

No site da Bombril, a esponja era definida como "perfeita para a limpeza pesada", sendo utilizada para a remoção de sujeiras e gorduras "de um jeito rápido e eficaz, sem esforço". No final da manhã, o produto foi retirado do ar. Procurada, a empresa não respondeu até o momento aos questionamentos.

Propaganda racista nos anos 50

Uma esponja chamada Krespinha, da S. A. Barros Loureiro Indústria e Comércio, era vendida na loja Sabarco, em São Paulo. A divulgação em 1952 levava uma menina negra no logo, personificando a esponja na figura da garota.

Além do desenho, um usuário do Twitter apontou para referências históricas que poderiam estar subjetivamente ligadas. O "k" de krespinha poderia ser em referência a Ku Klux Klan, que vivia seu auge na época.

A campanha também trazia a frase "as suas ordens", colocando em tom de servidão.

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