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Adriana Araújo revelou assédio de político em 2017 e viveu drama pela filha

Felipe Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

23/06/2020 12h26

Adriana Araújo deixou a bancada do "Jornal da Record" sem direito a despedida depois de mais de uma década à frente do principal telejornal da emissora.

A todos que se preocupam comigo, fiquem tranquilos. Estou bem e serena. Que bons ventos me levem

A jornalista deixou o telejornal depois de criticar o governo brasileiro pela falta de transparência na divulgação de dados sobre a pandemia do novo coronavírus. A Record, com se sabe, evita o confronto com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Experiência na Globo

Adriana Araújo nasceu em Itabirito, Minas Gerais, e depois da experiência como repórter de economia, em um jornal de Belo Horizonte, estreou na televisão, onde fez sucesso como repórter da Globo Minas.

Realizou reportagens para os principais telejornais da casa, como "Jornal Nacional", "Jornal Hoje", "Fantástico" e "Globo Repórter", e transferida para Brasília, passou a cobrir política.

Adriana Araújo em matéria para o "Jornal Nacional" em 1997:

Após 11 anos de Globo a jornalista aceitou o maior desafio da carreira: ser âncora do "Jornal da Record"

A estreia na bancada aconteceu em 2006 ao lado de Celso Freitas.

Em seu Instagram, a jornalista falou sobre a parceria:

Um piloto no estúdio seria feito para testar se a dupla dava "liga", se tinha afinidade e, principalmente, pra saber se a menina recém-chegada poderia encarar a função. Ele me recebeu não como uma novata, mas como uma igual, ainda que tivesse 30 anos de estrada na minha frente

Adriana ainda trabalhou como correspondente em Nova York e atuou como repórter durante alguns anos em um período fora da bancada. O retorno ao "Jornal da Record" como apresentadora aconteceu em 2013, posto que ocupou até semana passada.

O que mais ela fez na Record?

Adriana é uma jornalista que ao longo de sua carreira mostrou estar preparada para falar de qualquer assunto. Política, economia, esporte, saúde... Assuntos sérios e outros mais leves.

Competência e talento são a sua marca

Em uma matéria para o "Domingo Espetacular", em 2011, a jornalista visitou a casa de Gugu Liberato e revelou muitos detalhes sobre a intimidade do apresentador, que morreu ao fim do ano passado. Era a comemoração pelos 30 anos de televisão do animador.

Adriana entrou no quarto de Gugu, gargalhou no banheiro e mostrou a vista da varanda com uma piscina de borda infinita de frente para o mar

Assédio de político

Sobre os três anos que morou em Brasília, entre 2002 e 2005, a jornalista cobriu o auge do mensalão e se lembrou de uma situação tensa que viveu ao ser encurralada por um parlamentar que não teve o nome identificado. Ela falou pela primeira vez sobre o assunto no "Programa do Porchat", em 2017.

Ele me cercou contra a divisória e veio para cima de mim tentando me beijar à força e dizendo palavras violentas, grosseiras, de cunho sexual. Fiquei tão assustada, mas tinha que ter uma reação para sair dali. Consegui colocar a mão no peito dele para empurrá-lo. As palavras que eu disse foram a minha salvação. Eu falei: 'o seu partido está numa situação difícil demais para você se ver envolvido num escândalo de assédio sexual'. Eu estava tremendo por dentro. Ele acabou renunciando para não perder os direitos políticos

Ainda dentro da temática política, Adriana Araújo foi a primeira apresentadora a entrevistar a recém-eleita presidente Dilma Rousseff, em 2010, ao lado de Ana Paula Padrão.

Carta para o médico de sua filha

Adriana tornou público um drama que viveu com a filha, Giovanna, quando a jovem havia acabado de completar 18 anos.

Em uma carta direcionada ao médico de sua filha, publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, em 2015, a jornalista lembrou quando o especialista disse que a menina precisava amputar o pé e parte da perna. Giovanna nasceu com um problema ortopédico.

Adriana não acatou a recomendação daquele médico e decidiu aguardar a filha completar 18 anos para ela decidir sobre a cirurgia.

Pessoas como a minha filha precisam da sabedoria médica, do bisturi mas também do afeto que tanta falta fez naquele dia. Aquele médico pode até hoje acreditar que a amputação é o melhor caminho. Como mãe da Giovanna me permito questionar e acreditar que muitas amputações em casos semelhantes poderiam ser evitadas. Aquele médico poderia ter feito a mesma proposta de tratamento. Mas com uma dose de generosidade

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