PUBLICIDADE
Topo

Ex-BBB Clara detona exploração e explica trabalho de 'coach' de camgirls

Clara Aguilar, camgirl e influenciadora digital - Reprodução/Instagram
Clara Aguilar, camgirl e influenciadora digital Imagem: Reprodução/Instagram

Felipe Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

26/06/2020 12h37

Clara Aguilar quer usar a vasta experiência como camgirl para ajudar mulheres que gostariam de investir na profissão, mas ainda não sabem por onde começar. A ex-BBB criou uma consultoria de graça pelo WhatsApp em que ensina sobre como ter sucesso na área.

Atenção, meninas. Essa é a hora!

Em entrevista ao UOL, Clara conta que teve a ideia de criar o grupo no app após descobrir que muitas mulheres eram vítimas de pessoas com segundas intenções.

Percebi que tem gente que está querendo ganhar dinheiro em cima de camgirl. São pessoas que trabalham no meio vendendo consultoria em preço bem alto, por hora. E eu sei que tem muita gente de má-fé fazendo isso. Pessoas atraem elas para depois mandar algum link de algum site que a pessoa trabalha para ganhar comissão. Quer saber? Vou dar dica de graça para as meninas

Ela relata que uma das razões que a fez tomar esta iniciativa de abrir uma consultoria gratuita foi ver ideias erradas sendo divulgadas sobre o trabalho como camgirl. Por exemplo: de que é errado fazer show ou mesmo usar vibrador nas apresentações virtuais.

"Isso vai contra o feminismo. Feminismo é a mulher fazer o que quiser. No meu caso, quando estou fazendo meu show, gosto de tirar a roupa, me exibir. Muitas mulheres gostam, fazem por fetiche. Quem está vendendo esse tipo de coach, está colocando que elas estão fazendo coisa errada e não é. Quero ajudar essas meninas a não serem pressionadas e acharem que estão fazendo uma coisa horrível".

O que é preciso para ser camgirl?

Muitas mulheres ainda têm dúvida se podem ser camgirl por conta do padrão de beleza. Uma seguidora de Clara, por exemplo, perguntou se é preciso "ser bonita" — e que do contrário nem tentaria entrar nesse mercado.

A ex-BBB diz que quando começou, 15 anos atrás, precisou se encaixar no padrão, mas ela acredita que as coisas mudaram.

Fiquei loira, platinada, coloquei silicone. Precisava ser magra. Hoje em dia, não é mais assim. Tem mulheres reais em publicidade, Instagram... Modelos gordinhas, com deficiência. Nesse meio, isso também está se desconstruindo. Tem cadeirante, mulheres de todos os pesos, cores. Por exemplo, eu, com o peso que estou agora, sou considerada magra, mas estou 20 quilos acima do que pesava há 15 anos. Era louca da magreza. Não estou nem aí, entro com minhas gordurinhas, celulite, cicatrizes, nunca falaram algo para mim, estou segura. Importante é a mulher estar segura. Ela estando segura, se amando, vai atrair pessoas que também gostam dela

"Não é só tirar a roupa"

Dedicação é fundamental para ter sucesso na profissão. Mas não só isso. O ambiente é competitivo e com muitas mulheres on-line nas salas de bate-papo. Como, então, fazer para se destacar? Clara lembra que as características de cada mulher a fazem única.

É muito importante você saber pontuar seus pontos fortes. Estar sempre antenada no mundo. Porque conversar, criar conexão com cliente, também é muito importante. Não é só tirar a roupa. Todo mundo acha que é só isso e não é. É importante saber seduzir o cliente, conhecer os fetiches. Claro, fazer tudo que se sinta confortável e nunca fazer o que não gosta. Não vai fazer por dinheiro, senão vai ferrar sua cabeça. É fazer o que você realmente gosta, que daí que vem dinheiro

A luta contra o preconceito

O preconceito é real e a luta ainda é grande para combatê-lo. Clara fala sobre a sua experiência com esse assunto.

Sim, tem horas que me atinge, mas, no geral, lido bem. Preconceito de haters, eu, sinceramente, não ligo mais. A maioria é fake, ninguém dá cara à tapa. Preconceito das marcas me deixa chateada. Estamos trabalhando para mudar isso

No grupo de WhatsAppp que criou, por exemplo, já são cerca de 100 integrantes. E muitas mulheres com forte engajamento nas redes, o que não as impede de sofrer preconceito.

"Tem meninas com 200 mil seguidores. As marcas têm preconceito de fechar publicidade com elas. Precisa muito mudar. Muito hipócrita da parte das pessoas, sendo que a indústria pornográfica é a terceira que mais move dinheiro no mundo. Se consome e trata as pessoas que produzem esse conteúdo dessa maneira você é hipócrita".