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Detida em SC, bailarina do Faustão diz que foi vítima de violência policial

Natacha Horana, modelo e bailarina do "Domingão" - Hudson Senna/Divulgação
Natacha Horana, modelo e bailarina do 'Domingão' Imagem: Hudson Senna/Divulgação

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

11/08/2020 04h00

Bailarina do "Domingão do Faustão", Natacha Horana foi detida em Balneário Camboríu (SC), em julho. Ela foi acusada de desacatar policiais que foram averiguar a denúncia de que ocorria uma festa no apartamento onde estava hospedada.

Natacha nega as acusações e, em entrevista ao UOL, diz que foi vítima de violência policial na abordagem da GCM (Guarda Civil Municipal). O posicionamento oficial da prefeitura está ao fim do texto.

Claramente, fui vítima de violência policial, e precisamos dar um basta nesses abusos. Espero que nenhuma mulher, nem ninguém passe pelo que eu passei, é muito traumatizante.

Modelo e dançarina, ela irá à Justiça contra os agentes envolvidos.

Meus advogados vão entrar com pedido de investigação de abuso de autoridade contra os agentes envolvidos na ação e que invadiram o meu quarto, me algemaram e me levaram para a delegacia a força, sem qualquer justificativa. É o primeiro passo para reparar esse erro e essa injustiça.

Os defensores da modelo também irão pedir o arquivamento do inquérito que foi aberto contra ela em Santa Catarina. "Há uma investigação surgida a partir do abuso que fui vítima, mas meus advogados pedirão o arquivamento. Seja porque não cometi ilícito algum, e também por conta de todos os abusos cometidos pelas autoridades", conta.

Trauma

Natacha havia viajado para Balneário Camboriú profissionalmente, para um trabalho como modelo a convite de uma marca catarinense. Ela se hospedou em um apartamento alugado por um amigo e diz que estava em seu quarto na hora em que as autoridades chegaram.

"Estava cansada e viajaria no dia seguinte pela manhã", conta. "Eles entraram no apartamento sem nenhum mandado, nem permissão das pessoas que estavam no imóvel. Estavam armados, assustando todo mundo. E como eu estava no quarto, bateram na porta de maneira agressiva, eu fiquei assustada sem saber o que se passava. Pedi um tempo para abrir para me vestir e eles arrombaram a porta. Fiquei ainda mais assustada".

A bailarina diz que os oficiais a trataram com agressividade e começaram a filmar a ação. "Um deles chegou a ficar em cima de mim, de maneira absolutamente desnecessária. Saí machucada e algemada para a delegacia. Tudo de uma forma violenta, arbitrária e desproporcional com a situação, e acima de tudo inexplicável. O número de policiais era superior ao número de pessoas que estavam no apartamento".

Natacha Horana no momento em que é colocada no carro da GCM - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Natacha no momento em que ela foi colocada em carro da GCM
Imagem: Reprodução/Instagram

A Prefeitura de Balnerário Camboriú alega que Natacha tentou agredir os policiais, o que ela nega.

Não agredi ninguém, nem física nem verbalmente. Apenas fiquei assustada com aquele comportamento e questionei o porquê daquela ação. Também comecei a filmá-los para registrar o tamanho da agressão que estava acontecendo ali. Eles se irritaram com isso e foram ainda mais agressivos.

A modelo diz que, desde então, está sendo difícil lidar com a repercussão do caso e as respostas que vem recebendo nas redes sociais.

Estou muito chateada, e revoltada com tudo isso. Como mulher, nunca imaginei ser tratada com tamanha violência e desrespeito, principalmente naquele momento em que eu estava tão vulnerável. Muito menos pelas próprias autoridades policiais, que supostamente deveriam estar nos protegendo ou nos passar uma sensação de segurança.

Para ela, o mais difícil tem sido lidar com as lembranças da noite: "Os primeiros dias foram os mais difíceis. Diariamente passa pela minha cabeça as cenas daquela agressão violenta, absurda e inexplicável daqueles guardas municipais e fiscais da prefeitura".

Trabalhos

A repercussão do caso fez com que surgissem rumores de que Natacha tivesse sido demitida pela Globo, o que a emissora negou na semana passada. Os outros compromissos profissionais da bailarina também seguem firmes. "Depois do episódio, conversei com todos os meus parceiros de trabalho. Felizmente, eles entenderam, se solidarizaram com tamanha injustiça e prosseguimos nossas parceiras".

O que a prefeitura diz

A Prefeitura de Balnerário Camboriú diz que a reunião no apartamento foi uma violação do Decreto Municipal nº 9.974, de 30 de junho 2020, que dispõe sobre a proibição de realizar eventos em casas de locação, ou demais imóveis particulares.

Leia abaixo a íntegra do comunicado enviado ao UOL:

Esclarecemos que na noite de domingo, 19 de julho, chegou aos órgãos de segurança do município a denúncia de que estava ocorrendo uma festa na Rua 2.100, com cerca de 30 pessoas.

Destaca-se que, há vigentes decretos estadual e municipal que proíbem aglomerações em Balneário Camboriú e outros municípios catarinenses. Decretos restritivos a realização de eventos privados e públicos.

Essas medidas embasam as ações dos órgãos de segurança e da fiscalização do município de Balneário Camboriú que, por parte da comunidade local, estão recebendo dezenas de denúncias diariamente.

Nesse atendimento houve, por parte de uma das participantes da festa, o desacato e uma tentativa de agressão a um servidor público, que teve seu equipamento de trabalho (uma filmadora e um osmo mobile) jogados ao chão.

Toda ação foi registrada, do inicio ao fim, capturadas pelo equipamento de filmagem fixado na farda dos policiais.
A ação aconteceu com transparência e foi acompanhada, inclusive, pelo síndico do prédio.

Ressalta ainda, que as equipes que conduziram a mulher até a delegacia testemunharam as constantes manifestações de desacato proferidas pela mulher durante toda condução.

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