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Tony Ramos diz que sentiu necessidade de tirar rótulo de galã

Tony Ramos no Conversa com Bial - Reprodução/vídeo
Tony Ramos no Conversa com Bial Imagem: Reprodução/vídeo

Colaboração para o UOL

24/10/2020 04h06

Tony Ramos, um dos grandes atores da televisão brasileira, revelou que, em determinado momento de sua carreira, sentiu necessidade de se desvincular do estereótipo e rótulo de galã que ficou conhecido, e de poder apresentar ao público outros tipos de personagens.

"No teatro eu vinha fazendo sempre de tudo um pouco, mas na televisão esse galã heroico, ou esse heroico romântico é que assomava. Ele ficava ali frente ao público", desabafou o ator durante o "Conversa com Bial" na madrugada de sábado (8), na Rede Globo.

"Eu não tinha nenhum problema com isso e falava: 'bom, as pessoas se identificam comigo dessa maneira, ok, mas lá dentro eu dizia para mim mesmo que precisava mandar um sinal para esse carinhoso público, de que havia um outro ator ali atrás que queria propor um jogo novo a elas", disse o global de 72 anos.

Tony, que já viveu 140 personagens nos 56 anos de carreira, encontrou na minissérie "Grande Sertão: Veredas", de 1985, a oportunidade para mostrar ao público a sua outra faceta quando interpretou o jagunço Riobaldo Tamara, papel que o próprio definiu como um "marco divisório" em sua trajetória profissional.

"Um dia encontrei o Walter Avancini (diretor de "Grande Sertão: Veredas") no banco e ele disse que precisava falar comigo. Após pagar as minhas contas, fui até a mesa em que ele estava, tomamos um café e ele me ofereceu o papel do protagonista", recordou Tony, que no momento não entendeu direito a proposta, mas acabou aceitando.

Primeiro nu masculino

No programa, o ator relembrou vários de seus personagens icônicos, e não teve como não comentar uma das cenas mais polêmicas de sua carreira: a do primeiro nu masculino em horário nobre, exibida na novela "O Astro", em 1977, em plena ditadura militar do governo Ernesto Geisel.

"Quando se tem um propósito como essa cena, que era o voto que o personagem fazia a lá São Francisco de Assis se despojando de tudo, havia um sentido e foi assim que o Daniel Filho (diretor), e a Janete Clair (autora), negociaram com a censura da época que era férrea", explicou.

Após assistirem a cena, o apresentador Pedro Bial questionou se Tony estava "pelado, pelado mesmo" na gravação. Eis que o ator respondeu brincando: "Nem tanto, porque você viu que eu tinha um corpetinho de cashmere. Sou coberto de pelos, tanto nas costas quanto no frontal. Mas eu estava nu, sim".

Personagem dos sonhos

Ao finalizar o papo, Tony, que já interpretou todos os tipos de personagens e de várias nacionalidades diferentes, revelou qual é o papel que ainda não possui no currículo e sonha em ter um dia.

"Eu gostaria de fazer um maestro. Queria um personagem que falasse de música erudita e da beleza que ela é. Um ser humano que, por acaso, é um maestro.", disse ele.

Atualmente, Tony Ramos pode ser visto no filme "Aos 45 do Segundo Tempo", dirigido por Luiz Villaça, e está escalado para a próxima novela de João Emanuel Carneiro, na TV Globo.

O "Conversa com o Bial" vai ao ar de segunda à sexta-feira após o Jornal da Globo.

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