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Programa de rádio perde patrocinadores por piadas sobre assalto em Criciúma

Os apresentadores David Coimbra e Kelly Matos, do Timeline, da Rádio Gaúcha - Reprodução
Os apresentadores David Coimbra e Kelly Matos, do Timeline, da Rádio Gaúcha Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

04/12/2020 15h51

O programa Timeline, da rádio Gaúcha, perdeu alguns patrocinadores por causa de comentários dos apresentadores David Coimbra e Kelly Matos sobre o assalto a banco em Criciúma (SC), que virou manchete por todo o país na terça-feira.

A dupla comparou a ação dos assaltantes do caso com a de outros que fazem roubos menores pelas ruas de cidades ao redor do país, apontando que eles foram mais "respeitosos" com seus reféns e apresentaram uma "lógica" para as suas ações.

A repercussão negativa dos comentários levou alguns patrocinadores a se afastarem do programa, entre eles a Biscoitos Zezé e a Vinícola Salton. Ambas as marcas liberaram, nas redes sociais, notas de repúdio aos comentários dos apresentadores.

"Não há contexto possível para tais comentários, no mínimo desrespeitosos e debochados. [...] Nossa solidariedade e carinho à cidade de Criciúma e em especial aos familiares e amigos do policial ferido", escreveu a Zezé.

Já a Salton destacou que, como marca, "valoriza a família, a tradição e as comunidades em que está inserida", dizendo que os comentários dos jornalistas "não condizem com os valores que a empresa defende".

Os comentários

Logo no início do programa Timeline da última quarta-feira, David e Kelly começaram a conversar sobre o assalto em Criciúma.

"Estavam contando ontem que eles [os criminosos] chegaram em um dos funcionários do banco e perguntaram: 'Quanto tu ganha?'. Aí o cara disse, sei lá, dois mil, três mil reais. E eles falaram: 'Tá vendo só? É por isso que estamos assaltando. Não estamos tirando dinheiro de ninguém, é dinheiro do banco'", apontou David.

O comentarista disse que, portanto, havia "uma filosofia" na ação dos assaltantes. "É verdade que teve um policial que levou tiro, um vigilante também, mas se não tivesse intervenção, tudo teria decorrido numa boa. [...] São bons assaltantes. Dão uns tiros, é verdade, têm bombas. Mas fazem aquilo só para pegar o banco, a instituição, entendeu?", questionou.

David frisou, no fim do comentário, que não estava "defendendo assalto a banco", mas sim mandando um recado para assaltantes pelo país para serem como os criminosos de Criciúma, que "respeitavam o cidadão".

Kelly encerrou o segmento lembrando uma fala do filme "Assalto ao Branco Central". "Tem um personagem que diz assim: 'Crime não é roubar o banco, é fundar o banco'", citou.

No dia seguinte, David se retratou, repetindo que não estava defendendo o assalto a banco, e dizendo que seu comentário foi carregado de ironia. "Mas, quando alguém faz ironia e muita gente não entende, é culpa de quem fez", apontou.

Posição da rádio

O Grupo RBS, que administra a rádio Gaúcha, respondeu à repercussão negativa dos comentários dos jornalistas com uma nota em seu site oficial.

"O Grupo RBS informa que não houve intenção de minimizar a gravidade da ação criminosa e de ofender as empresas, os cidadãos e os policiais que foram feridos. [...] A RBS pede desculpas pelo ocorrido e afirma seu respeito às instituições financeiras e às forças policiais, assim como a todas as pessoas atingidas pelo lamentável episódio", escreveram.

"A linha editorial da RBS nos assuntos de segurança busca auxiliar cidadãos e empresas a se protegerem e valoriza as forças policiais na defesa da lei e da sociedade. A empresa tem como princípio estar aberta às críticas e aos questionamentos de todos, para ouvir suas percepções sobre todo e qualquer tema e estabelecer uma relação constante de diálogo e respeito", disseram ainda.

Ouça o programa original e a retratação: