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Ratinho defende intervenção 'igual Singapura' e 'limpar mendigos' das ruas

O apresentador Ratinho disse que "está na hora dos homens dos botões dourados" voltarem ao poder - Reprodução
O apresentador Ratinho disse que "está na hora dos homens dos botões dourados" voltarem ao poder Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

17/02/2021 14h06Atualizada em 18/02/2021 10h31

O apresentador do SBT Ratinho fez declarações a favor de uma intervenção militar — proibida pela Constituição Federal — "igual a de Singapura" para, na sua visão, melhorar a situação no Brasil.

Ontem, durante o programa "Turma do Ratinho", na rádio Massa FM — que é de sua propriedade —, Ratinho criticou os casos de vacinas vazias sendo aplicadas e, ainda, encaixou falas sobre o armamento e a guerra ao tráfico, além de criticar o funcionalismo público.

"Eu sei que o que vou falar aqui pode até chocar, mas está na hora de fazer igual fez em Singapura. Entrou um general, consertou o país e, um ano depois, fez eleições. Mas primeiro consertou, chamou todos denunciados e disse: 'vocês têm 24 horas para deixar o país ou serão fuzilados'. Limpou Singapura", disse.

O apresentador se referia ao modelo de gestão aplicado por Lee Kuan Yew, que transformou a ilha em uma potência nos seus 30 anos como primeiro-ministro.

Contudo, a política de Lee Kuan Yew manteve um duro controle de liberdades individuais, como punição para a homossexualidade, pena de morte para alguns crimes e a chibatada como forma de punição em outros. O país chegou a receber a alcunha de "Disney com pena de morte" pela sua controvérsia expansão econômica, mas não democrática.

Ratinho seguiu seu comentário defendendo uma política com a "limpeza" de moradores de rua das cidades inspirado pela política do ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani.

Ele pesquisou do que o povo tinha medo e era dos mendigos batendo nas portas. Ele limpou os mendigos da cidade. Do que as pessoas tinham medo? Morador de rua. Ele tirou todos os moradores de rua e deu um lugar para os caras se virarem. Ele limpou tudo e a imprensa ficou a favor dele. Aqui, se mexer com morador de rua, a imprensa cai em cima do político. Ele começou nos pequenos e chegou no maior

Rudolph Giuliani, que se tornou advogado pessoal do ex-presidente Donald Trump, aplicou uma política com leis de tolerância zero, tendo punições automáticas para qualquer tipo de infração nos anos 90.

Mas o método é criticado por não considerar outros fatores — como a melhoria de renda dos jovens da região, por exemplo — e por contribuir por um aumento na população carcerária dos Estados Unidos.

"Pra pegar um traficante, tem que pegar o que vende maconha", afirmou o apresentador do SBT.

Momentos depois, ele defendeu que "os homens do botão dourado" tinham que voltar ao poder para "botar ordem na casa", expressão já conhecida o pai do governador do Paraná, que faz referência aos uniformes dos militares.

"Se eu abrir uma votação perguntando se o povo é a favor da volta dos militares, dá 70%. Nossa democracia é muito frágil, estranha", disse. A intervenção militar defendida na fala do apresentador é inconstitucional, segundo a Constituição Federal — que foi promulgada após 21 anos de ditadura militar no Brasil.

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