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'Sofria bullying para um cacet*', conta Glamour Garcia sobre juventude

Glamour Garcia - Divulgação
Glamour Garcia Imagem: Divulgação

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/03/2021 19h18

Glamour Garcia, de 32 anos, que ganhou destaque ao viver Britney em "A Dona do Pedaço", comentou recentemente o preconceito que sofria em sua cidade natal, Marília (SP), quando ainda criança começou a explorar sua vaidade.

"Eu tinha uns 10 anos e já me depilava. Era algo que as meninas da minha cidade faziam. Meu pai tinha uma dificuldade gigantesca com esse hábito que eu iniciei na época. Eu ia no salão, depilava axila, perna, rosto...", lembrou a Glamour Garcia.

Entretanto, a atriz enfatizou que as provocações relacionadas à depilação, apesar de ruins, eram pequenas perto do que a cidade realmente lhe proporcionava.

"Esse hábito é pequeno perto da grande discussão que é Marília. Assim, por ser uma cidade do interior do estado de São Paulo, Marília traz questões tradicionalistas em relação à cultura e a educação que são muito ligadas ao machismo, misoginia, racismo, transfobia, que são bandeiras que defendo", refletiu.

"Nem sei se dá para dizer que defendo, eu só não acredito mais que é possível que as pessoas ainda utilizem a violência para construir discursos. Eu amo Marília, mas não posso deixar de ser uma pessoa crítica. Eu sofria bullying para um cacet* e chegou uma época que comecei a usar da abstração para dar alguns passos", acrescentou a atriz.

Cirurgia de readequação de sexo

Voltando ao papo da depilação, Glamour alegou que continua fazendo depilação. Todavia, agora ela faz à laser e por um motivo maior do que vaidade.

"Eu pretendo fazer a cirurgia de readequação de sexo e, para isso, eu preciso passar por esse processo. Na cirurgia, o médico trabalha a região de forma que partes externas tornam-se internas. Então, para evitar problemas foliculares, a 'perereca' tem que estar zerada", explicou ela, entre risos.

Futuro Glamouroso

Atualmente, a famosa é uma das maiores referências dentro da comunidade LGBTQI+ e por isso, ela torce que outros transexuais vejam sua trajetória como inspiração.

"Antes da transição de gênero, eu era um corpo morto, o papel que eu vivia [na vida] era falso e tinha muitos problemas mentais e existenciais. Quando vivi a Britney, em 'A Dona do Pedaço', foi importante porque criou-se uma discussão sobre o tema", lembrou.