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Welington Camargo relembra sequestro: 'Tinha de tudo para morrer ali'

Wellington Camargo - Reprodução/Instagram
Wellington Camargo Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL, em São Paulo

26/04/2021 07h05Atualizada em 26/04/2021 08h10

Welington Camargo relembrou o sequestro que sofreu em 1998, e falou sobre a sua fé durante o período em cativeiro. O cantor gospel, irmão de Zezé di Camargo e Luciano, comentou que chegou a perdoar seus sequestradores.

Ele explicou que o sucesso dos irmãos teve influência em sua vida. "Na minha vida o impacto foi que contribuiu muito para a minha carreira, por outro lado, teve o sequestro e tive que me reservar mais. Passei a andar com segurança armado e hoje moro em condomínio fechado. Ninguém sabe aonde eu moro, só família. Preservo meus filhos também", começou ele em entrevista para a "Quem".

"Não tem como esconder, mas procuro evitar pelo que aconteceu comigo. Sou uma pessoa que ama estar no meio do povo, mas tenho que me privar de algumas coisas por causa dessa experiência", prosseguiu.

Welington garantiu que, mesmo com as situações pesadas que sofreu nos 94 dias de seu cárcere — onde teve um pedaço de sua orelha cortada — ele não perdeu a fé de que sairia vivo da situação.

Não precisei de psicólogo depois do sequestro porque sempre acreditei e conversei muito com Deus. Durante o sequestro, orei muito e tinha resposta em sonhos. Deus me dizia que eu sairia de lá. Eu tinha de tudo para morrer ali. Geralmente, em sequestros longos como o meu, as vítimas são assassinadas. No dia em que eles cortaram a minha orelha, a intenção deles era me matar. Eu escutava eles conversando se deviam me enforcar, dar um tiro... Mas não tive medo de morrer porque Deus falou que ia ficar tudo bem.

"As pessoas acham uma loucura, mas enquanto cortavam a minha orelha, eu vi anjos. Fiquei ali estático e olhando. Nem senti dor. Deus viu que ao acontecer algo com um servo dele, mandou os anjos para me guardar. Até o corte foi superficial. Fiquei por alguns dias surdo do ouvido esquerdo porque o sangue tinha secado, mas assim que removeram, voltei a ouvir normal. Depois que Deus deu o filho dele, Jesus, para morrer por mim na cruz, esse foi o momento que mais senti o amor de Deus", explicou.

Segundo ele, a experiência no sequestro o fez dar mais valor a vida. "Ninguém que passa por isso é a mesma pessoa. Passei a olhar para as pessoas com mais amor e procuro perdoar... Eu cheguei a falar para os bandidos que perdoava o que eles tinham feito, que só queria a Justiça", frisou.

O cantor também disse ligar sempre para seus familiares para dizer o quanto os ama, e afirmou que tinha contato direto com o pai, Francisco, morto no ano passado. "Era um relacionamento muito bom. Não tinha um dia em que eu não ligava para ele e dizia que o amava. Eu ligo sempre para meus irmãos também para dizer 'eu te amo'. Por isso, não chorei de arrependimento a morte do meu pai, chorei pela tristeza da perda. Ainda estou abalado. Meu pai me deu forças em tudo que eu fiz, assim como a minha mãe. Meu pai foi o nome da família e minha mãe é o alicerce", destacou.