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Obrigado, “Velho Chico”

Mauricio Stycer

30/09/2016 23h23

Escrevi bastante sobre "Velho Chico" nos últimos seis meses e meio. Não tenho muito mais a acrescentar. Há muito tempo uma novela não me impressionava tanto. O último capítulo não decepcionou: mesmo ao incluir temas obrigatórios e tradicionais, como morte do vilão, redenção do protagonista, casamento dos heróis e nascimentos de crianças, conseguiu escapar dos clichês.

Em grande sintonia com Benedito Ruy Barbosa e Bruno Luperi, Luiz Fernando Carvalho ofereceu um espetáculo de alta qualidade do início ao fim.

Mesmo para aqueles que só compreendem televisão com os dois olhos fixados no Ibope, "Velho Chico" deixa uma mensagem igualmente positiva, na minha opinião.

Pensando no primeiro semestre de recordes que a Globo registrou este ano, em São Paulo, a novela contribuiu modestamente. Vai terminar com média superior a 29 pontos, um pouco mais que a novela que a antecedeu, "A Regra do Jogo", que teve 28,48 pontos (e bem melhor que "Babilônia", que registrou média de 25,45).

Mas o simples fato de elevar o Ibope, mesmo que apenas em um ponto, é um sinal alentador. Mostra que o público comprou uma proposta não convencional. E que não é preciso dar ao espectador apenas o que ele acha que quer.

Obrigado, "Velho Chico".

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.