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Ao antecipar "Órfãos da Terra" online, Globo aposta no futuro das novelas

Mauricio Stycer

05/05/2019 05h01

Ainda não foi devidamente discutido um gesto ousado que a Globo colocou em prática no início de abril. Assim que terminou a exibição do primeiro capítulo de "Órfãos da Terra", na noite do dia 2, o segundo capítulo da novela já estava disponível no serviço de streaming da emissora.

Desde então, isso tem se repetido diariamente. Acaba um capítulo da novela das 18h na TV, surge o próximo na internet.

A Globo já havia testado antecipar episódios de séries em seu serviço de streaming, mas nunca havia feito algo parecido com novelas. A cautela se explica.

As novelas representam a espinha dorsal da programação da emissora – são cinco por dia, incluindo uma reprise. São também uma de suas fontes principais de audiência e de publicidade.

A oferta dos capítulos de "Órfãos da Terra" no serviço de streaming da forma como tem sido feita provoca consequências importantes. Em primeiro lugar, este espectador da novela na internet não está sendo exposto aos intervalos comerciais exibidos na TV aberta. Ou seja, os anunciantes estão sendo prejudicados.

Em segundo lugar, a emissora está "ensinando" o espectador de novela, o mais tradicional, a consumir o folhetim de uma forma diferente. Esta opção torna o usuário mais "livre" – ele escolhe a hora que quer ver o capítulo. Além de afetar a medição tradicional de audiência, prejudica a "conversa" que costuma ocorrer nas redes sociais, quando todos assistem o capítulo ao mesmo tempo.

A Globo deu sorte de fazer esta experiência justamente com uma novela muito acima da média. "Órfãos da Terra" tem sido, até agora, uma novela excelente.

Se esta iniciativa piloto der certo, seguramente a emissora vai aperfeiçoá-la e exigirá contrapartidas para compensar as eventuais perdas que tiver na TV aberta. Contra a ideia de que as novelas não têm futuro, esta novidade sinaliza, ao contrário, que elas estão mais vivas do que nunca.

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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