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Mauricio Stycer

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A curiosa relação de Silvio Santos e Dudu Camargo: humilhação e risadas

Mauricio Stycer

30/07/2019 05h01

Silvio Santos entre Dudu Camargo e Marcão do Povo no Jogo das 3 Pistas

Dudu Camargo e Silvio Santos alimentam uma das relações mais curiosas da televisão brasileira. Sempre que o primeiro vai no programa do segundo ele é alvo de brincadeiras de mau gosto, piadas de duplo sentido e humilhações – e reage sempre rindo, como se estivesse adorando tudo.

Desde que estreou como apresentador do "Primeiro Impacto", no Dia da Criança, em 2016, Dudu tem sido convidado para participações no "Programa Silvio Santos". Só no "Jogo das 3 Pistas" já esteve seis vezes: com Marcela Tavares, em novembro daquele ano, com Marcão do Povo, em maio de 2017, depois com Maisa Silva, Larissa Manoela, Gabriel Cartolano e neste último domingo (28) novamente com seu colega de telejornal.

Em todas as aparições, o ritual se repetiu, com Silvio fazendo seguidas piadas e insinuações sobre a sexualidade do jovem apresentador e Dudu, à vontade, encarando a situação com a maior naturalidade possível.

Neste domingo, nos 15 minutos iniciais de conversa, antes do jogo, três momentos foram dedicados a esta troca de gentilezas entre os dois. Primeiro, ao comentar a gravata espelhada que Dudu estava usando, Silvio disse:

"Dudu é vaga-lume. Olhando de trás, você vai ver uma lâmpada sempre acendendo. Agora, o que a lâmpada acesa quer dizer, eu não sei. É um problema. Quando a pessoa começa a ter uma lâmpada na parte de trás e a lâmpada começa a acender, ele quer que alguém apague. Tô avisando…"

Depois, referindo-se ao galo que Marcão do Povo mostra no telejornal, Silvio provocou o seguinte diálogo com Dudu:

Silvio: Ele fala com a galinha, você não fala com ninguém.
Dudu: É um galo, o Madruga.
Silvio: Se ele coloca um galo no programa, por que você não coloca uma galinha?
Dudu: Posso arranjar.
Silvio: Já sei, porque me disseram, que você não gosta de galinha; gosta mais de pinto. Coloca pinto.

Dudu, então, sugere comprar um pintinho e acompanhá-lo no programa. Até ele crescer e virar um galo. O apresentador responde:

Silvio: Ninguém tem culpa da sua preferência de gostar de pinto grande. Pinto crescido. Por que você não mantém o pinto pequeno?
Dudu: Porque a tendência é o pinto crescer.

Por fim, conversando com Marcão, Silvio quis saber:

Silvio: Teu colega tem namorada?
Marcão: É corno.
Silvio: Mas ele não tem mulher.
Marcão: Chifre é igual consórcio. A qualquer momento, você é contemplado.
Silvio: Mas é verdade que as mulheres dão tudo em cima dele?
Marcão: Só se for pra matar.
Silvio: Ele tava com a Flor!
Marcão: Não. Dudu tá disfarçando. O negócio do Dudu é outro.
Silvio: Mentira.
Marcão: É outro.
Silvio: Você fica insinuando as coisas que são erradas…
Marcão: Eu não falei nada. Você acabou de falar que ele gosta de pinto.

Dirigindo-se a Dudu, Silvio diz: "Ele fez agora uma insinuação que não diz respeito em hipótese alguma a você. Faz o seguinte: processa e pede uma indenização grande". Ao que Dudu respondeu: "O mercado está difícil. Hoje, qualquer pessoa da minha idade, com 21 anos, só quer saber de vício, de prostituição. Não quer saber de coisa séria, de fidelidade. Tá muito difícil achar alguém direita".

Acredito que, no fundo, este seja um jogo de "ganha-ganha", ou seja, tanto Silvio quanto Dudu acreditam se dar bem com estas situações. O objetivo maior é promover e dar audiência aos programas do SBT. O dono da emissora não está nem um pouco preocupado com a credibilidade do apresentador do seu telejornal matinal – para Silvio, "qualquer garoto no ensino fundamental" pode fazer isso. E Dudu, igualmente, não parece se importar com o que pensem dele.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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