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Chico Barney


História real sobre assassino de gatinhos é a melhor novidade da Netflix

Os Detetives do Logo Azul: Deanna investigava crimes sem sair de casa, pelo Facebook - Reprodução/Netflix
Os Detetives do Logo Azul: Deanna investigava crimes sem sair de casa, pelo Facebook Imagem: Reprodução/Netflix
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

03/01/2020 17h52

A inadmissível cena de um marmanjo arruinando a vida de dois gatinhos é o ponto de partida para uma alucinante jornada sobre importantes loucuras modernas: o insistente clamor por atenção e o envolvimento quase patológico com o que lemos ou assistimos pela internet.

Na série documental Don't F**k With Cats, novidade no cátalogo da Netflix, acompanhamos dois nerds no começo dos anos 2010 que ficam indignados com um vídeo mostrando o assassinato dos bichanos. A peça audiovisual viraliza, dando origem a um grupo no Facebook que possui como objetivo descobrir quem era o traste responsável pela crueldade.

Pois a investigação parece empoderar o degenerado, que começa a produzir mais vídeos e logo tem a identidade revelada —provavelmente por conta própria. É um intenso mergulho no coração e na mente de pessoas que apostam alto para conseguir um pouco de feedback online.

No meio do caminho, o assassino vai ficando cada vez mais perigoso, chegando a fazer ameaças aos investigadores amadores. Também ocorre uma diversificação nos tipos de seres vivos que viram alvo do rapaz, mas não falarei muito para tentar garantir que o nobre leitor seja surpreendido pelo nível da maluquice.

Assim como Deanna Thompson e John Green, os detetives informais que cuidaram do caso via redes sociais, o telespectador é impelido a saber mais sobre o caso logo que o terceiro e último capítulo chega ao fim. Em tempos de narrativas expandidas, os documentários de True Crime nunca terminam em si mesmos. Há uma série de adendos ao conteúdo da série em sites e fóruns como o reddit —pois a bizarrice nunca pode parar.

Sinto falta desse tipo de material sendo produzido em larga escala no Brasil. Making a Murderer está entre os programas que mudaram o patamar da Netflix em todo o mundo, e similares estreiam por lá em frequência industrial. É um filão estratégico para Globoplay e congêneres.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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