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Alok estreia no Palco Mundo e revela exigências no RiR: "Água e café"

Alok - Divulgação
Alok Imagem: Divulgação
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

27/09/2019 09h52

Alok já participou de três edições do Rock in Rio - uma no Brasil, outra em Las Vegas e a terceira em Portugal - mas fará hoje, às 18h, sua primeira apresentação no Palco Mundo, o principal do festival. O DJ, assim como fez o francês David Guetta em 2013, faz uma "quebra de paradigmas" nesta sexta-feira sendo uma das principais atrações do dia e levando o eletrônico pop ao evento. A Coluna do Leo Dias conversou com ele ontem na véspera deste marco em sua carreira - quando ele havia acabado de conhecer o espaço onde se apresentará - e antecipa um pouco de como será seu show.

Quem pensa que Alok fez uma série de exigências para se apresentar no festival está enganado. Ele inclusive dispensou um pedido de sua equipe - que envolvia um valor de R$ 12 mil em bebidas - não quer nenhuma refeição e pede apenas água e café em seu camarim.

Para o DJ, estar no Palco Mundo, faz com que ele acredite ter acertado em escolhas: "Representa muito mais do que tocar em um festival com muita gente, com transmissão. Representa acerto na carreira, tá ligado? Como se tivesse colhendo agora. As minhas escolhas estão dando frutos."

E, por falar em escolhas, Alok relembra quando arriscou em sua carreira mudando um pouco seu estilo muito eletrônico para músicas com uma pegada mais pop. Ele confessa que por um certo tempo foi um 'tiro no pé' - já que recebeu muitas críticas - mas hoje está feliz com a mudança, principalmente por ter se tornado um DJ que pode ir para um festival de rock, mas também é convidado para eventos sertanejos e feiras agropecuárias.

Ainda na entrevista, Alok conta que gostaria que seus pais pudessem o assistir no Rock in Rio, mas eles estão viajando a trabalho e serão representados pelo irmão dele,o DJ Bhaskar, e pela esposa Romana Novais, que espera o primeiro filho do casal.

Leia a entrevista completa com DJ Alok:

COLUNA DO LEO DIAS - Na história do Rock in Rio, Brasil, apenas um DJ se apresentou (David Guetta). Como foi o convite para você fazer parte da edição 2019?

ALOK - Primeira vez que vi o David Guetta no Rock in Rio foi muito chocante porque estava sendo uma quebra de paradigmas muito grande aqui (Brasil) naquele momento, principalmente por ser eletrônica que era muito segmentada. Se vivo o que vivo hoje, na cena eletrônica, com certeza naquele momento lá atrás, David Guetta no Rock in Rio foi algo muito importante para abrir os caminhos.

Você estava no Rock in Rio na edição que o David Guetta Tocou?

Não estava. Vi pela televisão. Estava tocando em algum lugar que não lembro. Tem muitos anos. Mas aquilo pra mim foi um marco. Estar hoje no Rock in Rio, no palco principal, nessa mesma situação, me faz refletir em algumas coisas. A primeira é: caraca, fiz a escolha certa lá atrás quando falei que não quero mais ser somente um DJ segmentado na cena eletrônica e quero passar a abranger diferentes tipos de público, ou seja, visar o mercado pop.

Como acontece essa mudança para o pop?

A mudança tem que ser genuína. A minha música chegou e depois a acompanhei.
Entende? Antes de lançar "Hear me now" (2016) eu já era o 25° do mundo só que era muito segmentado. Muitas pessoas não conheciam, pois era uma música forte para uma cena fechada. Acontece que eu lembro que tinha "Hear me now" pronta para tocar no Tomorrowland Brasil e eu não quis colocá-la porque tinha um pouco de receio. Era muito eletrônica. Outra pegada.

E você continuaria tocando para dentro da sua "bolha"?

Por algumas razões. Primeiro porque eu vim dessa cena, meus pais são DJ's e eu tinha uma pouco de receio de ir para fora. Segundo porque não sabia como as pessoas de fora (outros gêneros músicas) me aceitariam e se a cena me aceitaria indo para fora.

Você poderia ser interpretado como alguém que traiu o sistema. Você se corrompeu ao sistema?

Na verdade segui o meu coração. Nunca fiz nada que não gostasse. A "Hear me now" e outras músicas têm muita influência do Coldplay, essas bandas que eu gosto muito. Tentei mesclar e trazer essas duas coisas à tona. Não gosto de pontuar porque não tem nada a ver, mas eu já era duas vezes consecutivas n°1 do Brasil e decidi ir para outro lugar. Tipo, "esse cara é idiota, tá fazendo isso e tal...", mas deu certo.

Alok no Palco Mundo - Divulgação/Blog do Leo Dias - Divulgação/Blog do Leo Dias
Imagem: Divulgação/Blog do Leo Dias

E isso não poderia ser um tiro no pé?

Poderia. Como foi por um momento. Me disseram que eu estava virando as costas para o movimento, que estava virando modinha. Vi um depoimento seu (Leo Dias) esses dias que deu um alvoroço, onde você falou assim: aceitem. A música popular hoje é o sertanejo. Eu, hoje, sou um DJ que também toco na cena sertaneja pela Villa Mix e por vários outros fatores. As pessoas realmente não enxergam muito o que acontecem no Brasil. Existe um Brasil oficial e existe o Brasil real. Isso aqui é o Brasil oficial, o cartão-postal. Mas o real é outro e é muito louco, pois a gente não está dizendo que o sertanejo é o melhor ou pior gênero, mas sim que se tornou o gênero mais acessível do Brasil. O que é verdade sim. Rodo o Brasil inteiro e tenho sido um dos primeiros do eletrônico, ou seja, um peixinho fora d'água que muitas pessoas criam resistência para colocar um DJ em rodeios, em festa junina e entre outros eventos mas que depois acaba dando certo. O que acredito nesse aspecto é o seguinte: o público sertanejo abraça.

Quando começou a tocar nessas feiras agropecuárias, nesses festivais sertanejos, o público conhecia aquele tipo de música ou foi a primeira vez?

Surpreendentemente, a reação era boa. Claro que não era o que é hoje. As pessoas não dançavam e sim observavam muito. O comportamento do público mudou bastante. Hoje em dia as pessoas dançam.

Para você, faz diferença se as pessoas estão viradas ou não para o palco?

Faz. Por não ter banda, abuso em outros aspectos que é o audiovisual do show que está sincronizado com a música e o visual. Tem um ano que estou desenvolvendo um show, com o cara que desenvolveu as Olimpíadas no Brasil. Ele traz exatamente essa coisa do audiovisual junto com a música. Quero que as pessoas estejam sempre olhando para o palco.

Quando você ouviu que tinham fechado sua participação com o Rock in Rio?

Já fiz três Rock in Rio. Aqui, Las Vegas e Portugal. Sempre no palco eletrônico. Esse ano, o Marquinhos me ligou e disse: tô fechando Rock in Rio. Falei: legal, massa. Achando que era mais um palco eletrônico. Logo em seguida ele disse que era no palco mundo. Eu: o quê? sério? rolou? Não tô acreditando. Porque pra mim era uma parada que não sabia quando ia acontecer, mas aconteceu. E foi aquilo que já tinha dito anteriormente, de ter feito a escolha certa lá atrás. Então representa muito mais do que tocar em um festival com muita gente, com transmissão. Representa acerto na carreira, tá ligado? Como se tivesse colhendo agora. As minhas escolhas estão dando frutos.

O Rock in Rio vai mudar alguma coisa na sua carreira?

Reforça aquilo que eu acredito. É igual o acidente de avião que tive (em 2018). Reforçou que estava no caminho certo. Isso é só para exemplificar que marcos importantes na minha vida ou a gente fala que está tudo errado e vou mudar daqui pra frente ou está tudo certo, pois se eu fosse amanhã estava tudo bem. Entende? Foi isso com o acidente de avião. O que mudou na minha vida? Nada. Eu vi que estava exatamente no caminho certo e que se fosse hoje eu estaria feliz por ter feito tudo que fiz. Exceto que eu queria ter tido filho naquela época.

E as exigências para o seu camarim no Rock in Rio. Quais foram?

Você não acredita o problema que deu. Um grande problema com as exigências. Inclusive hoje estava no Rock in Rio falando com a Marizinha, braço direito do Roberto Medina. Ela ligou falando que estava um absurdo o meu camarim, que eu estava exigindo mais coisas que o normal e que ela trabalha com gringo e não é bem assim. Pedi calma, pois não sabia o que estava acontecendo. Muitas coisas acontecem por trás dos bastidores de um artista e ele não fica sabendo. Pediram m rider que envolvia cerca de R$12.000 de bebidas. Primeiro que não condiz com o que eu acredito, com a minha imagem. Não é isso que eu quero passar. Falei para tirar tudo e deixar só água e café. Não pedi nada para comer, pois não tenho costume de comer no camarim. Mas o que eu acho que aconteceu é que enviaram o meu ride internacional e lá sim as bebidas são muito mais acessíveis, as coisas são muito mais fáceis. Então, acho que mandaram esse mesmo formato de ride para o Brasil onde não se aplica. É diferente sim a realidade.

Nos shows que você faz pelo Brasil, você não faz esse tipo de exigência?

Não faço. Até porque não tem condição. Olha o Brasil.

Você preparou algo especial para o Rock in Rio?

Estava desenvolvendo um show para ser autoral que eu vou rodar nas capitais do Brasil. Um experimento de um início de uma nova turnê. Porque na minha turnê tem como controlar todo o cenário e no Rock in Rio não. A gente se adapta ao festival como Drake está fazendo. Mas está sendo o pontapé inicial para essa nova releitura de show porque eu realmente quis mudar a nossa linguagem, a comunicação, ou seja, tudo. As pessoas que já me viram tocar vão ter uma experiência nova e é isso que eu quero. Vão ter um show totalmente novo.

Quais são as novidades que você pode falar?

O que eu posso falar é exatamente esse lance do audiovisual. Tudo novo. Contando em bloco, histórias. As coisas fazendo uma historinha. No começo ele fica em um formato mais abstrato com uma intensidade maior. São coisas técnicas. Depois trago elementos das minhas músicas como "Hear me Now" e no final a gente devolve toda energia para o espaço. É uma loucura! É um filme.

E sobre as imagens que você lançou nesta quarta-feira (25) desse novo clipe. O que tem a dizer?

"Tab for 2" é uma música que eu escrevi para o meu relacionamento mas não como base, como exemplo. Inspirado no relacionamento porém serve para todos que é basicamente assim. Me inspirei muito no Beatles para fazer a melodia e por ser uma música que traz muito a minha verdade, aceitei em participar do clipe sendo eu mesmo, pois não sei interpretar. O clipe foi eu e Romana agindo naturalmente. Lógico que teve uma produção bacana.

Quem estará lá no Rock in Rio pra te ver?

Pedi para minha família ir. Mas meu pai está no Japão tocando e minha mãe em Belo Horizonte, ou seja, nenhum deles vai. Mas a Romana vem e meu irmão também porque ele vai tocar (no Rock in Rio) no domingo (29).

Leo Dias