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Leo Dias


'Tardezinha' termina no momento em que Dilsinho e Ferrugem brilham no país

Thiaguinho comanda "Tardezinha" - Reprodução/Instagram/Divulgação
Thiaguinho comanda 'Tardezinha' Imagem: Reprodução/Instagram/Divulgação
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

21/11/2019 08h18

Resumo da notícia

  • Thiaguinho criou o projeto 'Tardezinha' em 2015
  • O 'Tardezinha' fará sua edição, no Maracanã, no dia 15 de dezembro
  • A Coluna do Leo Dias explica os motivos que levaram o 'Tardezinha' ao sucesso e, depois, ao fim

Um dos projetos mais bem-sucedidos da história do pagode, o Tardezinha, comandado por Thiaguinho, que estreou em maio de 2015, chega ao fim no próximo dia 15 de dezembro no Maracanã.

Mas o que explica o projeto ter sido tão bem sucedido, mesmo Thiaguinho não emplacando tantos hits no país? A razão pelo sucesso é simples: virou moda. Estar lá era algo que todo jovem almejava. A tática do Tardezinha era colocar preços exorbitantes e uma lista vip cheia de gente bonita e descolada. Quem não gostaria de estar num pagode num domingo à tarde ao lado dos maiores nomes do futebol, vôlei e do surfe? Thiaguinho tem algo que algo que nenhum outro pagodeiro tem: o network, ou seja, uma poderosa rede de relacionamentos, que envolve os nomes mais poderosos das artes e do esporte. Ele levava de Luciano Huck a Grazi Massafera para os seus pagodes.

Para um projeto ter ressonância nacional, como teve o Tardezinha, precisa bombar entre os famosos cariocas. O lucro do evento no Rio de Janeiro talvez seja o que menos importa. A mídia em torno da festa na capital carioca fez dele um grande sucesso por todo país.

O primeiro sinal do fim do Tardezinha foi há cerca de um ano, quando percebeu-se que o evento não era mais um objeto de desejo dos vips. E, aos poucos, o público descolado deixou de frequentar as festas Sair de cena na hora certa é fundamental e é para poucos. O Baile da Favorita é um exemplo de um projeto que já atingiu o seu auge, não soube sair de cena e hoje sobrevive única e exclusivamente devido à insistência de sua criadora, a promoter Carol Sampaio.

Thiaguinho focou tanto em faturar alto com o Tardezinha, que acabou esquecendo o fundamental para qualquer cantor: criar arte. E pior: o Tardezinha ficou maior que o próprio Thiaguinho. Ele não emplacou hits e agora precisa focar, de fato, em fazer música.

O Tardezinha foi algo tão bem sucedido que criou um genérico à altura. A Resenha do Mumu, de Mumuzinho, já está em sua quarta temporada, e com ingressos bem mais baratos. O projeto é um sucesso e o cenário é um dos mais pomposos do Rio, o Jockey. Mumuzinho é aquele cara boa praça, que atende a todos, tem talentos mil e sabe falar a língua do povo.

Mas o pagode no Brasil hoje tem dois donos: Dilsinho e Ferrugem. Só que são perfis de público absolutamente diferentes. Ferrugem é o pagode que toca em tudo quanto é buraco no subúrbio carioca. É o tal pagode raiz. Já Dilsinho é um fenômeno entre as mulheres (o que acaba sendo um risco) e tem um "combo" que poucos artistas tem: uma bela estampa, letras contemporâneas e alto engajamento nas redes sociais, o que faz com que seus streamings sejam altíssimos. Mal e porcamente comparando, Dilsinho é o Luan Santana do pagode.

Não dá para falar de pagode e não citar o Belo. Ele é o Roberto Carlos do pagode. Apesar de ter feito tudo errado, ela dá certo. Expõe a sua vida pessoal e de sua senhora contando ao mundo alguns detalhes sórdidos do que acontece na alcova, é famoso por não honrar suas dívidas, mas nada disso conta. Belo tem um carisma que ninguém tem. Tem histórico de mais de 30 sucessos, é idolatrado pelos grandes nomes do pagode, mas tem um sério de problema de administração financeira. Ele deveria estar multimilionário com seu talento, mas gasta muito mais do que ganha.

Vale ressaltar que pagode vive um bom momento mas é ignorado pelo mercado publicitário e pelas plataformas de streaming. Ainda existe um forte preconceito em relação a tudo o que é popular. O Spotify só tem duas playlists voltadas ao pagode. Na publicidade, então, nem se fala. Conta-se nos dedos de uma mão os comerciais feitos por esses cantores que são idolatrados pelo povo.

Leo Dias