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Leo Dias


André Ramos, rei do Réveillon do RJ: "O termo alta sociedade não cabe mais"

André Ramos - Reprodução/Instagram
André Ramos Imagem: Reprodução/Instagram
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

05/12/2019 06h00

Se 2019 "já deu" e você, caro leitor, não vê a hora de o Ano Novo chegar, que dirá o empresário André Ramos, conhecido na sociedade carioca por ter organizado alguns dos Réveillons mais icônicos que o Rio de Janeiro já viu. A ansiedade se justifica: Nos últimos dois anos, justamente os dois após o fim do casamento de 18 anos com o jornalista e também empresário Bruno Chateaubriand, André deu uma pausa em suas grandes festas de Réveillon e optou por celebrar a data - sua preferida, vale dizer - no luxuoso Copacabana Palace e em uma viagem a Miami em família. Mas, agora, ele está de volta, até por certa influência dos amigos. "Há amigos que passam [o Réveillon] comigo há mais de 20 anos e, de alguma forma, sentiam falta, me cobravam.", diz o empresário.

O local escolhido para o grande retorno é a luxuosa mansão do bairro da Gávea, construída, na década de 60, pelo pai de André - o tabelião e incorporador de imóveis, Armando Ramos, falecido há 25 anos - e onde o empresário nasceu. O espaço, localizado em uma rua onde ônibus e novos ricos nem sonham passar por perto, no alto de uma ladeira tão íngreme que o único som que se ouve são os barulhos feitos pelos pássaros na mata, está sendo preparado para receber os cerca de 150 seletos convidados para a grande noite da virada. No salão superior da casa, serão montadas três estações de bufê, que funcionarão initerruptamente, e no salão inferior ficará a pista de dança, tudo decorado em tons de branco e prata e cuidado de perto pelo anfitrião, que recrutou em torno de 30 funcionários para dar conta de tudo.

André brinca que "esse é um Réveillon off-Broadway", exatamente por estar um pouco distante do Réveillon da Avenida Atlântica, em Copacabana, onde ele realizou memoráveis festas de fim de ano no mítico Edifício Chopin. "Lá, eu cheguei a fazer reuniões para 500 pessoas em um apartamento. Era uma loucura gostosa, porque todos os apartamentos faziam festa e havia uma circulação muito simpática dentro do prédio. Eu brinco que o Chopin tinha vida própria, era um personagem. Mas o mundo mudou, o prédio mudou, os moradores mudaram. Foi um período que não volta mais.", diz ele, com saudades, mas sem nostalgia.

Ainda assim, André segue como um grande entusiasta do Réveillon de Copacabana, considerado por ele um dos maiores do mundo. "Sem dúvida, [o Réveillon de Copa] está entre os cinco maiores do mundo, mas, para mim, é o mais lindo. Aquilo é um deslumbrante, e, mais bonito que os fogos, é ver aquela concentração de gente, todo mundo de branco, muita família.", diz ele, relembrando que a ideia do espetáculo pirotécnico na Atlântica foi do eterno 'Rei da noite carioca', o empresário Ricardo Amaral, na década de 70. "Foi ele que montou uma estrutura no meio do canteiro central e fez os fogos. Ninguém fala disso.", conta.

Aliás, conversar com André Ramos é uma grande oportunidade para aprender sobre os mais diversos assuntos. Culto e muito bem articulado, ele disserta sobre qualquer assunto, da novela e do bar da esquina até investimentos e a situação econômica mundial, sempre acrescentando detalhes, curiosidades e dados históricos, que despertam ainda mais prazer em trocar uma ideia com ele. E o melhor, tudo regado a muito bom humor e ótimas tiradas.

André Ramos com a avó, Dona Lena, e a mãe, Maria Izabel - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
André Ramos com a avó, Dona Lena, e a mãe, Maria Izabel
Imagem: Arquivo Pessoal

"Meu patrimônio me permite chegar aos 100 anos com o mesmo conforto que tenho agora"

Com negócios que envolvem imóveis e uma incorporadora, André brinca ao ser questionado sobre sua fortuna, dizendo que ser rico é algo relativo. "Para o Bill Gates, eu sou pobrinho", diz ele. Herdeiro de um "patrimônio muito bom", como ele mesmo fala, André diz participar ativamente dos negócios, mas não sabe precisar, de fato, o valor total de seus empreendimentos. "Definir um valor, dar um número concreto, nem eu sei ao certo, mas posso dizer que eu tenho um patrimônio que me permite chegar aos 100 anos, que é a idade que eu pretendo chegar [Ele tem 44], vivendo com o mesmo conforto que eu tenho agora".

Brincadeiras à parte, André é consciente do privilégio que tem. "Fui afortunado. Tive a sorte de vir de uma família que me deu muitas oportunidades e me deixou esse patrimônio.", diz ele, que, descende de uma família aristocrata. O bisavô dele foi o Barão de Tapajós e deixou para a avó de André, Dona Lena, fazendas de criação de búfalos, na Ilha de Marajó, no Pará. Entretanto, ela perdeu tudo por má administração do marido e chegou, acredite, a ser revendedora da marca Avon. "Isso me deu uma certa noção de realidade e dos percalços que a vida pode trazer", conta André.

Frequentador da alta roda da sociedade carioca, André diz não reconhecer mais essa dita 'alta sociedade'. "Na minha opinião, o que existe hoje como elite é uma elite financeira, responsável pela tomada de grandes decisões, inclusive, junto ao governo, e uma elite intelectual, que tem como função dar a cara à tapa, ter opinião, interferir de alguma forma na sociedade.", diz ele, que continua: "Desde a época em que o [jornalista Ricardo] Boechat assinava a [coluna] Swann, no Globo, já houve uma queda de interesse por essa alta sociedade, que não se renovou , por motivos óbvios. O mundo mudou, e não cabe mais ter uma alta sociedade. Eu vejo isso no mundo todo. O que existe, hoje, eu diria, é uma elite do entretenimento, formada por cantores, pessoal de televisão, jogadores de futebol, escritores... São esses personagens que estão em voga. O interesse das pessoas está neles.", conclui.

André Ramos e Bruno Chateaubriand - Acervo Pessoal - Acervo Pessoal
André Ramos e Bruno Chateaubriand
Imagem: Acervo Pessoal

"Na separação, ninguém discutiu pirex"

É impossível falar de André Ramos e não mencionar Bruno Chateaubriand, seu companheiro por tantos anos. Eles se separaram em março de 2017, após 18 anos de união, e, hoje, mantém uma grande amizade. "O Bruno foi a minha referência de família e vivemos muitas coisas juntos. Nos damos muito bem. Falo com ele semanalmente. Não tem como se desligar de alguém com quem você foi casado por tanto tempo.", diz o empresário, que revela que a separação ocorreu sem brigas: "Nossa vida financeira sempre foi independente um do outro. Eu brinco que, na separação, ninguém discutiu pirex. Isso foi muito elegante da parte dos dois, e não poderia ser diferente."

André ressalta que a grande contribuição da união com Bruno foi o fato de os dois terem sido um dos primeiros casais gays publicamente assumidos do país. "Em uma época em que todo mundo 'estava no armário' ainda, nós fomos o primeiro casal a estampar todas as capas de revistas, a falar sobre o assunto. A gente teve a chance de mostrar que [um casal gay] tinha uma vida normal no sentido de família.", conta André, que acredita que, apesar dos avanços, a comunidade LGBT poderia ter uma maior representatividade política. "A Parada Gay de São Paulo já chegou a reunir mais de um milhão de pessoas. Com essa quantidade de gente, você elege um prefeito, decide uma eleição de senador, elege um deputado federal. Falta essa união política para que, de fato, haja avanços cada vez maiores.

Gabriel Monteiro de Castro e André Ramos - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Namorando há cerca de dois anos e meio o médico dermatologista Gabriel Monteiro de Castro, André diz que teve a sorte de sair de um bom casamento para uma outra ótima relação. "O Gabriel é uma pessoa de paz de espírito, que me traz tranquilidade. Brinco que ele é o meu sol, que ilumina a minha vida", diz o empresário, que revela que a admiração pelo companheiro é imensa e parte do que os faz estarem juntos. "Eu admiro o caráter dele, que eu considero ser muito próximo do meu, e a identificação e a paixão que ele tem com a profissão, que é a mesma da minha mãe, Maria Izabel. E isso é fundamental para mim, porque não existe amor, sem admiração.", conta.

Sobre o sonho de ser pai, André, que chegou a estar na fila da adoção quando era casado com Bruno, revela que ainda é uma possibilidade. "Eu e o Gabriel já chegamos a conversar sobre isso... É uma ideia, mas não há pressas em relação ao assunto 'filhos'. Quando eu nasci, meu pai tinha 54 anos, então, acho que eu ainda tenho muito tempo pela frente.", brinca. Mais do que filhos, o grande legado que o empresário espera deixar é transformar a casa onde vive em um lar para pessoas da Terceira Idade. "Eu sempre fui muito ligado a pessoas mais velhas e continuo sendo. É algo que me comove muito. A dificuldade de envelhecer é muito dramática, então, eu gostaria de deixar a casa para uma instituição de apoio à Terceira Idade e, se possível, alguns fundos para a manutenção disso.", finaliza, André.

* Com reportagem de Geizon Paulo

Leo Dias