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Leo Dias


Leo Dias

O Ibope do SBT não pode afetar a grandiosidade de Silvio Santos

Silvio Santos - Beatriz Nadler
Silvio Santos Imagem: Beatriz Nadler
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

04/12/2019 09h31

Resumo da notícia

  • Leo Dias analisa a necessidade de Silvio Santos estabelecer e criar um sucessor ainda em vida para levar a frente seu legado.
  • Em um paralelo com figuras históricas, como o czar Nicolau II , o rei Luis XVI e Fidel Castro, o colunista ressalta a importância disso.
  • Segundo Leo, o SBT não poderia depender tanto de Silvio em algumas decisões, como alterações em programas que estão no ar ao vivo.
  • O colunista reconhece a genialidade de Silvio Santos e que o palco precisa dele, mas as decisões da emissora não.

Meses antes da Revolução de 1917, na Rússia, a rainha-mãe do czar Nicolau II, avisou a ele que ele deveria deixar o poder em Moscou. Ela foi para a Crimeia. Ele não deu ouvidos, e acabou morto. Na França, do século XVIII, todos os irmãos de Maria Antonieta e Luís XVI fugiram de Paris, mas os dois não largaram o poder. Resumo: ele foi morto, e ela guilhotinada nove meses depois.

O que eu quero dizer com esses fatos históricos é que isso é natural do ser humano. Independentemente da sua dimensão, largar o poder não é algo fácil. Não é fácil mas é necessário. Se você quiser que sua obra dure, que o seu legado, a sua história perdure mais tempo do que você, é preciso saber criar alguém que vai assumir o seu papel, antes de você partir de fato. É preciso inteligência emocional para isso, porque o poder inebria, o poder entontece.

Mas porque estou falando isso? Falo em referência ao SBT e a seu dono, o genial Silvio Santos. Nesta terça-feira (3), em uma entrevista que concedi à Rádio Jovem Pan, eu comparei o SBT à Cuba. Óbvio, muita gente me criticou. Mas Fidel soube, ainda que mal e porcamente, deixar um sucessor.

Esse sucessor não pode tomar o poder após a morte do mestre. Ele já precisa estar atuando para que o antecessor passe seus ensinamentos. Me assusta ver a dependência do SBT a Silvio. Ele não aparece para gravar há mais de uma semana, e as informações na emissora são escassas. O que acontece? Boataria, incerteza e apreensão. Nada disso é bom.

Silvio é o maior gênio das comunicações, mas a prova final da sua genialidade vai ser mostrar que o SBT consegue viver sem as decisões dele.
Silvio precisa do palco, e o palco precisa dele, isso é indiscutível. Mas as decisões da emissora, não. Ele não precisa mais se preocupar com isso. Seu legado é tão grande, que nada que aconteça a partir de hoje alterará a sua brilhante história.

No domingo passado, por exemplo, Silvio estava atacadíssimo. Ele ligou seis vezes para emissora, a cada hora com uma decisão diferente sobre o bizarro telejornal "Alarma TV". Ele conseguiu deixar a todos loucos. Aí, eu me pergunto: para que ele precisa passar por isso? Ele é Silvio Santos.

O SBT já deveria ter um líder e se orgulhar de que o grande mentor ainda está no ar, fazendo o melhor sabe. Preocupar-se com Ibope não deveria fazer parte da rotina de alguém que é uma referência para cinco gerações de brasileiros. Que a história do czar Nicolau sirva como exemplo.

Silvio Santos e o último czar, Nicolau II - Reprodução/Pinterest - Reprodução/Pinterest
Imagem: Reprodução/Pinterest

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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