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Jota Quest e Capital Inicial: como artistas de 'médio porte' serão afetados

Jota Quest - Divulgação
Jota Quest Imagem: Divulgação
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

25/03/2020 08h00

"Quem tem o melhor caixa, terá a melhor sobrevivência". É o que diz Helinho Fazolato, empresário do Capital Inicial, Dinho Ouro Preto e Vanessa da Mata. Na Coluna do Leo Dias de ontem mostramos como artistas estourados, principalmente os sertanejos - como Gusttavo Lima e Marília Mendonça - estão se planejando para lidar com os impactos do novo coronavírus no mercado. E, nesta quarta-feira (25), daremos voz aos empresários de artistas considerados de 'médio porte', ou seja, que possuem sucessos antigos, fazem uma boa quantidade de shows, mas que não estão entre os mais tocados nos streamings e nem com hits do momento. É o caso dos artistas do escritório de Fazolato, e de muitos outros.

"Temos pensado o que pode ser feito. Os afetados não são só cantores ou músicos da banda. Temos funcionários. Um show simples deve movimentar entre 150 e 200 pessoas trabalhando. Precisamos pensar em algo maior que um plano B apenas para a banda. Precisamos que o mercado sobreviva", ressalta Fazolato.

No mesmo barco que ele está Helber Oliveira, empresário do Jota Quest. Para a Coluna, ele ressalta que este momento é especialmente delicado para os 'funcionários da graxa' - apelido que carinhosamente eles dão para a equipe técnica dos artistas.

"As pessoas que trabalham literalmente em shows estão em casa, sem nenhuma remuneração relevante", diz ele, que aponta algumas primeiras soluções: "Alguns estão trabalhando nas lives dos artistas, já é algo, nada significativo. Já se discute também em adiantamento de cachês por shows que já estão marcados e estão por vir. Acho que cada artista terá um posicionamento quanto a sua equipe. Alguns artistas estão se organizando para se movimentar nas redes e fazer até uma vaquinha para ajudar a classe técnica, que estão realmente passando perrengue".

E pensando na equipe técnica, Fazolato concorda com Helber, e aponta que eles terão suas equipes revistas: "As bandas têm um número pequeno de contratados por CLT, o normal é você ter prestador de serviço. E o prestador de serviço ganha de acordo com o trabalho realizado. Empresas de som, de luz, de banheiro, segurança, terão que rever sua equipe, porque não temos previsão nenhuma de volta e eles não conseguirão se manter."

Plataformas digitais serão 'Plano B', mas não para todos

Com shows adiados e sem previsões para retorno, os empresários dizem que para o mercado da música, mesmo que o coronavírus acabe amanhã, o retorno ainda será longo até ser normalizado. Os shows deverão ser marcados de 30 a 45 dias depois que estiver tudo normalizado, ou seja, viverão por, pelo menos um mês após o fim da quarentena, ainda sem receber cachês.

Para alguns artistas o plano B são as plataformas digitais e direitos autorais, para outros será o 'dinheiro em caixa'. Quem não tiver nem um e nem outro, poderá ser mais prejudicado.

"As plataformas digitais podem ajudar artistas. Alguns serão beneficiados, outros nem tanto. Artistas mais novos têm a plataforma digital mais forte. Neste período de quarentena o streaming é mais forte. Tudo isso ajuda. Mas repito: a preocupação maior será com prestadores de serviço, músicos, técnicos", ressalta Helinho, que afirma: "As plataformas digitais ajudam, mas nem de longe são um bom plano B a longo prazo."

No entanto, Helber Oliveira vê 'vantagem' na quarentena para o bom uso das plataformas: "Estava conversando com a Suzy, empresária do Djavan, e ela me disse: 'Pela primeira vez, dentro de um confinamento, as plataformas de streaming estão possibilitando um contínuo consumo da música. Se fosse na era do CD, ficaríamos presos ao que a gente já tinha. Hoje podemos lançar um clipe novo, uma música nova, e ele será consumido até com uma visualização maior'".

Solidariedade será o fundamental:

Em um mercado sem shows marcados, os empresários acreditam, no entanto, que cantores sobreviverão bem, músicos mais ou menos, e equipe técnica precisará sim de apoio, seja dos grandes artistas, de 'vaquinhas' na internet, ou com a possibilidade de fazerem renda de outra forma.

"Quem trabalha com música sempre teve uma frente de trabalho muito grande. Shows, musicais, shows corporativos. Era um mercado muito bom. Essas pessoas tem um currículo com 20 ou 30 anos de experiência, são os melhores no que fazem. Mas agora, neste momento, estão todos em casa. É preciso pensar neles", conclui o empresário do Jota Quest.

*Com reportagem de Lucas Pasin

Leo Dias