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Leo Dias


Leo Dias

Futuro da música: o que passará com grandes artistas e com os em ascensão

Jorge e Mateus - Reprodução
Jorge e Mateus Imagem: Reprodução
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

13/05/2020 11h21

Há um movimento claro na música a ser observado neste momento sem shows. Primeiro: isso deve perdurar ao longo de todo o ano. Antes de 2021 não há perspectiva de que o mercado volte a ser exatamente o que era. Mesmo se os shows voltarem, nada será como antes. É importante ressaltar que a música continua muito relevante na vida do brasileiro, só que agora ele ouve dentro de casa, ao lado da família, o que faz uma enorme diferença.

Cantores que estão muito associados à festa, à rua e à noitada já estão observando uma clara retração. Música com palavrões (como muitos funks), expressões típicas da noite, ou que falam de bebida, por exemplo, estão em queda. Não existe a menor possibilidade de algum cantor lançar neste momento uma canção falando de bebedeira. Esquece.

Quem cantar qualquer expressão ligada à internet e a tudo que estiver associado ao novo mundo, crescerá. O distanciamento entre nós deverá ser retratado nas músicas. O amor idealizado e não consumado. O sonho e não o ato em si. Até mesmo o comportamento do cidadão se transformará. Haverá menos toque. Menos intimidade, principalmente em quem você nunca viu na vida. A tendência é mais ou menos por aí. Esse movimento começará na elite mas chegará, sim, ao povo.

E preste atenção: será bem mais difícil emplacar um hit em 2020. Primeiro por conta desse movimento de olhar pro passado, pensar na vida, olhar pra trás e querer ouvir os clássicos da música. Canções que foram eternizadas pelo brasileiro voltarão ao gosto popular. Por isso, o funk caiu tanto. E o samba raiz subiu. Entenda: o samba remete à história do país, já o funk é ligado ao hoje e, o pior: ele se transformou demais. O funk que se ouve hoje nada tem a ver com o de 10 anos atrás. Já o samba é o mesmo, mudou muito pouco.

A segunda razão que dificultará uma música virar hit é que o consumidor costuma agir em bando. Se seus amigos estão ouvindo, você também ouvirá. A questão é que neste momento ninguém sabe o que o seu grupo está consumindo, nem mesmo se está atento a isto, com questões bem mais relevantes a se pensar. Por isso, há um risco enorme de ser ignorada ao se lançar uma música neste momento.

O mundo está mais lento, por isso, a música tem que acompanhar o ritmo. Música eletrônica, muito veloz e boa para se ouvir no volume máximo, estão em declínio. Sabe por quê? Não faz sentido ouvir isso dentro de casa, sozinho ou com a família. Os DJs já entenderam ao desejo popular e estão apostando nos clássicos, independente do ritmo. A dança, de uma maneira geral, terá que buscar um novo caminho. É hora de dançar em frente ao espelho.

A conclusão final é: quem tem história, cresce. Os grandes artistas ficarão gigantes. E os iniciantes, aqueles que ainda estão em ascensão, precisarão dar uma marcha ré e recomeçar do zero. Essa é a tendência.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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