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Crítica de Morrone a Garcia foi gravada por técnico em estúdio da Globo

Alexandre Garcia e Giuliana Morrone - Reprodução/Instagram
Alexandre Garcia e Giuliana Morrone Imagem: Reprodução/Instagram
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

12/05/2020 00h17

A conversa entre os jornalistas Giuliana Morrone e Gerson Camarotti sobre o ex-colega Alexandre Garcia foi gravada por um técnico dentro de uma das salas de controle da Globo, em Brasília ou no Rio. Segundo a coluna apurou, o responsável deixou traços e pode vir a ser identificado.

O número de técnicos envolvidos na gravação de um telejornal nacional, como o "Bom Dia Brasil", é grande. Segundo a coluna ouviu, são pelo menos cinco em Brasília e mais de dez no Rio.

A conversa ocorreu na sexta-feira (08) pela manhã, durante um intervalo do telejornal. Morrone e Camarotti estavam em Brasília e mencionaram um comentário de Garcia, que havia criticado a CNN Brasil pela forma como conduziu a entrevista com a secretária de Cultura, Regina Duarte, exibida na véspera.

Revelado pelo colunista Leo Dias, no UOL, nesta segunda-feira (11), o diálogo deixou Morrone e Camarotti em situação constrangedora. A Globo proíbe conversas no estúdio com programas no ar, como ocorreu. Além disso, esta coluna apurou que o teor da conversa desagradou à cúpula da emissora.

"Eu fico pensando assim, se não tá gagá, entendeu? Só pode ser. Tipo a Regina Duarte, né?", diz Giuliana Morrone. "É. Mas eu acho que ali, sabe o que é, é faturar agora ganhando com os seguidores. Os radicais. Ele tá ganhando dinheiro com isso. YouTube", responde Camarotti.

Garcia prometeu responder às críticas nesta terça-feira (12). "Imagino que 'gagá' seja preconceito contra os mais vividos; já maledicência não depende de calendário", disse no Twitter.

Ainda que tenha sido uma conversa em local e situação impróprios, Morrone e Camarotti foram vítimas de um ato ilegal.

Escândalo da parabólica

Conversas de bastidor em estúdios jornalísticos são mal-vistas desde setembro de 1994, quando o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, foi obrigado a pedir demissão após o vazamento de uma conversa informal com o jornalista Carlos Monforte antes de entrar ao vivo no "Jornal da Globo".

O diálogo foi captado por espectadores via antenas parabólicas. Ricupero disse: "Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde", insinuando que estava usando o Plano Real para favorecer a candidatura do tucano Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República na sucessão de Itamar Franco.

Mauricio Stycer