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Ricardo Feltrin

Valor de contrato entre TVs abertas e operadoras pode passar de R$ 840 mi

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Jornalista Adriana Araújo entrevista Silvio Santos e Edir Macedo no Templo de Salomão Imagem: Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

23/03/2017 11h47Atualizada em 23/03/2017 11h47

Enquanto você lê este texto  executivos de Record, SBT e RedeTV e das operadoras de TV por assinatura discutem um dificílimo e urgente acordo comercial de centenas de milhões de reais.

As três emissoras querem receber pela cessão de seu sinal HD a partir do próximo dia 29, quando termina a era do sinal analógico na Grande São Paulo.

Essas TVs reivindicam o mesmo tratamento dado pelas operadoras à Globo e Band: querem ser remuneradas por seus sinais. As operadoras, porém, não querem mais essa mordida.

Se não houver acerto, a Simba,  empresa que representa Record, SBT e RedeTV, diz que vai  suspender o sinal para as operadoras.

A situação é complicada porque envolve, como dito acima, centenas de milhões de reais. Veja as cifras em negociação, apuradas pela coluna (cálculo estimado para 18 milhões de assinantes no país).

AOS NÚMEROS

A Simba teria chegado com uma proposta de pagamento mensal de R$ 30 milhões para Record e R$ 30 milhões para o SBT, e R$ 10 milhões para a RedeTV!

Considerada exagerada, a proposta tiraria das operadoras (na verdade, assinantes) cerca de R$ 850 milhões por ano. Isso representaria um custo mensal adicional de R$ 3,88 por cada assinatura de TV no país.

Para efeitos de comparação, as operadoras somadas pagam algo torno de R$ 2,5 bilhões  anualmente à Globo pela cessão de seus canais que fazem parte dos pacotes vendidos. Só que a Globo tem cerca de 50 canais (além da Globo aberta).

Record, SBT e RedeTV, portanto, desejavam cerca de um terço desse valor para ceder apenas três canais abertos. Parece desequilibrado, mas não é quando se observa que a audiência somada dessas dezenas de canais da Globosat não chega perto da audiência de SBT e Record na TV por assinatura.

Uma outra proposta --bem mais modesta-- sobre a mesa de negociação, segundo esta coluna apurou, falava no pagamento de R$ 1,00 para SBT e R$ 1,00 para a Record e R$ 0,30 para a RedeTV. 

Nesse caso a cifra envolvida seria de R$ 2,30 adicionais por mês em cada pacote no páis, ou R$ 41,4 milhões adicionais por mês ou R$ 496 milhões por anos, a serem pagos. As operadoras obviamente estão refratárias.

GORDURA?

As TVs abertas acreditam que as operadoras têm muita gordura para queimar, e que podem fazer a remuneração sem repassá-la ao assinante. Já a ABTA, por meio de seu presidente, Oscar Simões, acha que o momento de crise que o país atravessa é o “pior possível” para qualquer aumento de custos, tanto  para as operadoras como para o consumidor.

Caso o sinal dessas três emissoras sejam de fato cortados no dia 29, não só os assinantes perderão três canais de uma só tacada, mas também as emissoras deverão desabar em audiência, já que o público da TV por assinatura no país soma mais de 46 milhões de telespectadores.

As operadoras também podem sair perdendo: se os três canais forem retirados do ar elas podem ser obrigadas a fazer uma das três hipóteses:

- Substituir esses canais por outros de conteúdo semelhante
- Baixar o valor da mensalidade, caso o assinante não aceite a susbstituição
- Aceitar a rescisão do contrato sem qualquer multa para o assinante

Apesar de tensa, a negociação tem boa chance de terminar em comum acordo. 

Twitter e facebook: @feltrinoficial

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