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Ricardo Feltrin

Reuniões entre Globo e Waack foram tensas; caso pode acabar na Justiça

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Momento fora do ar em que Waack faz comentário racista com convidado, no fim de 2016, nos EUA
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

22/12/2017 11h00Atualizada em 22/12/2017 19h40

Foram ao todo quatro reuniões entre a direção da Globo e William Waack (acompanhado de advogado) desde o início de novembro, depois que o jornalista foi afastado do comando do “Jornal da Globo”.

Waack foi tirado do ar pela direção de Jornalismo após a divulgação de um vídeo em que fez comentário racista (fora do ar) com um convidado no estúdio da emissora, em Washington, no ano passado.

Segundo fontes ouvidas pela coluna: o resultado das quatro reuniões foi o mesmo: tensão, mal-estar e irritação por parte do jornalista, que vinha sendo pressionado a rescindir voluntariamente o contrato.

Nesta sexta-feira, a Globo anunciou a rescisão e seu desligamento. Segundo o comunicado, a decisão foi em comum acordo.

Em todas as reuniões o jornalista deixou claro que considerava descabida e humilhante a punição que recebeu por causa de um vídeo “furtado” por um ex-funcionário da Globo e postado na internet.

A situação ficou ainda mais tensa no último dia 6, quando Waack soube que Diego Rocha Pereira, ex-operador de VT da emissora e vazador do vídeo, não só retornou à Globo como fez uma foto no cenário no “Jornal da Globo”, sentado na cadeira que já foi dele.

Para o jornalista, a atitude do ex-funcionário foi submetê-lo ao ridículo. E a emissora não se preocupou em evitar isso.

Para ele, a Globo não podia se eximir de responsabilidade sobre dois fatos: tanto pelo vazamento do vídeo como pelo retorno do vazador às suas dependências.

A coisa não deve terminar só com o comunicado da Globo hoje, anunciando a demissão.

Do ponto de vista jurídico o caso pode se tornar uma batalha longa e espinhosa, com prejuízo para ambas as partes.

Um dos argumentos em vista é que Waack fez um comentário jocoso em uma situação privada, na qual a emissora não teria o direito de puni-lo da forma que o fez.

Afinal, quem permitiu a captação da conversa privada foi a própria emissora.

Sem intenção, a Globo pode estar criando uma nova, longa e caríssima novela judicial.

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