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Sem brasileiro pela 1ª vez desde 70, Globo vê fuga inédita de público da F1

Brandon Malone/Reuters
Sebastian Vettel comemora a vitória no GP da Austrália Imagem: Brandon Malone/Reuters
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

28/03/2018 07h11Atualizada em 28/03/2018 07h15

A Globo já tem um problemão para resolver este ano. Um de seus produtos mais caros e expostos, a Fórmula 1, começou mal em audiência. Pela primeira vez desde 1970 não há nenhum piloto brasileiro na pista.

A primeira prova, vencida por Sebastian Vettel, registrou apenas 4,4 pontos de média na Grande São Paulo --principal mercado publicitário do país.

Segundo levantamento da coluna, trata-se do menor índice de todos os tempos --desde que as corridas começaram a ser transmitidas aos domingos e medidas pelo Ibope.

Ok, é verdade que a corrida na Austrália foi exibida durante a madrugada do Brasil, mas isso já ocorreu em outros anos com maior público.

É bom lembrar que, apesar do baixo índice histórico, a Globo ainda assim liderou a audiência na TV aberta na faixa horária.

Marcar 4,4 pontos equivale a ter cerca de 317 mil domicílios sintonizados, ou cerca de 1 milhão de pessoas em São Paulo.

Para um “esporte” que já foi paixão nacional, é muito pouco.

Para efeitos de comparação, em 2000 a primeira corrida da temporada deu 26,0 pontos à Globo.

Já dez anos atrás ela registrou 10,4 pontos (veja abaixo a “involução” da audiência da F1 na emissora desde 2000).

PREÇO EM OURO

O problema para a Globo é que a Fórmula 1 é um dos seus produtos mais caros.

Estima-se que todas as cotas de patrocínio da F1 devam custar cerca de R$ 500 milhões anuais aos anunciantes "master".

Parece muito e é, mas lembrem-se que cada marca-cotista da F1 na Globo aparecerá o ano todo em horário nobre, em várias chamadas semanais no “Jornal Nacional” --produto mais prestigioso da casa.

Mesmo assim, as corridas são fundamentais para a exposição das marcas.

Este ano Itaipava, NET, Nívea, Renault, Santander e Tim são os patrocinadores oficiais da modalidade.

Veja a audiência da primeira prova de F1 na Globo desde 2000 (em pontos de audiência e % de share; na Grande SP

2000 - 26,0 pontos e 48,1%
2001 - 18,0 e 43,2%
2002 - 14,9 e 38,2%
2003 - 18,4 e 48,7%
2004 - 23,0 e 55,9%
2005 - 18,8 e 51,6%
2006 - 16,1 e 51,6%
2007 - 16,5 e 40,3%
2008 - 10,4 e 42,6%
2009 - 10,5 e 51,1%
2010 - 15,3 e 43,0%
2011 - 07,1 e 42,4%
2012 - 05,8 e 40,1%
2013 - 05,3 e 36,8%
2014 - 05,0 e 34,7%
2015 - 05,4 e 28,0%
2016 - 04,8 e 25,8%
2017 - 06,0 e 28,7%
2018 - 04,4 e 26,2%

Fonte: Dados consolidados obtidas da medição da Kantar Ibope

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