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Médica apresentadora tenta ser 1ª brasileira a escalar montanha K2

Karina Oliani durante escalada ao Monte Everest (apontando o dito cujo) - Divulgação
Karina Oliani durante escalada ao Monte Everest (apontando o dito cujo) Imagem: Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

13/07/2019 05h40

A médica, montanhista e apresentadora Karina Oliani está no Paquistão há quase um mês e iniciou ontem a etapa final da maior e mais perigosa aventura de sua vida.

Ela começou "atacar o cume" da montanha K2 por volta das 7h (hora do Paquistão, 23h de ontem no Brasil). A escalada final deve durar pelo menos cinco dias.

K2 é a segunda maior montanha do mundo. Ela é só 237 metros menor que o Everest --o qual a destemida Karina, 37, já escalou duas vezes (pelas face Sul e Norte).

A escalada está sendo filmada e vai virar um documentário para TV ou streaming, mas ela ainda não decidiu. Primeiro, diz, precisa realizar a façanha.

"Terminei meu ciclo de aclimatação quatro dias atrás. Eu subi até 6.700m, dormi duas noites nessa altitude; voltei, descansei aqui (Campo Base 1, ou C1) três dias e agora tô subindo para o ciclo que a gente chama de ataque ao cume", disse ontem à coluna por WhatsApp.

Até a próxima quarta ela ficará sem contato com internet. Se tudo correr bem, na quinta-feira da ela retomará contato por telefone satelital.

"Vamos sair agora do campo base 1; amanhã, domingo (estaremos no) C1 e C2; segunda-feira, C2 e C3; terça, C3 e C4; e no dia 17, quarta, tentaremos o cume. Aí descemos quando for possível", contou a aventureira, que também pilota helicópteros e é especializada em resgates complicados de feridos com esse tipo de aeronave.

Karina já estrelou quadros de aventura no "Esporte Espetacular", no "Fantástico" (Globo) e no Discovery Channel.

Montanha mortal

K2 ou Karakoram 2 está na cordilheira de mesmo nome entre a fronteira do Paquistão e da China. É a barreira vertical mais temida pela comunidade de escaladores profissionais.

Chamada de "montanha selvagem", só foi descoberta no século 19 quando as primeiras explorações científicas mapearam a região. É extremamente instável climaticamente e com grande quantidade de avalanches e mortalidade de alpinistas.

A montanha é tão complexa que só começou a ser alvo de escaladas em 1904. No entanto, apenas 50 anos depois a primeira equipe de alpinistas italianos chegou ao cume (após 5 tentativas).

Karina Oliani está fazendo a aventura com uma expedição com apenas mais duas pessoas --o montanhista profissional e amigo Maximo Kaush e o sherpa Lakpa Temba.

Nenhuma mulher sul-americana até hoje escalou a montanha e apenas um brasileiro --Waldemar Niclevikz-- conseguiu o feito de pisar no cume do K2, e só depois de três tentativas. Esta é a primeira vez de Karina.

Menos de 400 pessoas no mundo atingiram o cume até hoje.

Além do Everest ela já conquistou montanhas como o Aconcágua, Kilimanjaro, Elbrus, Mont Blanc, entre outras.

A expedição, chamada, K2K tem o apoio de empresas como Volvo, Pulsar Invest, Outback, John John e Gilette.

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