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Análise: Qual será o futuro de Sandy e de Junior depois da turnê?

Sandy e Junior levam a turnê Nossa História ao Rio de Janeiro - Júlio César Guimarães/UOL
Sandy e Junior levam a turnê Nossa História ao Rio de Janeiro
Imagem: Júlio César Guimarães/UOL
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

17/08/2019 07h02

A pergunta no título acima não tem caráter divinatório. Tampouco é uma pergunta retórica, porque esta coluna não tem a resposta.

O objetivo deste texto, portanto, é também ouvir a opinião de vocês, leitores, e de fãs da dupla, que está de volta depois de quase uma década separada (cadastre-se e deixe sua opinião no sistema de comentários do UOL, após o fim do texto).

Sandy e Junior estão fazendo uma turnê milionária, vitoriosa e com ingressos esgotados em todo o Brasil. Atraindo dezenas de milhares de pessoas, inclusive muitas celebridades atuais que cresceram sob a trilha sonora dos irmãos.

O último show está previsto para novembro, no Rio. Eles também participarão da maratona a do "Criança Esperança" (Globo) na próxima segunda.

Queriam ou não, de todas as duplas cantoras do país, Sandy & Junior está entre as mais respeitáveis e notáveis, sob todos os pontos de vista. Filhos de Xororó, sobrinhos de Chitão, os dois nasceram não em um berço, mas num latifúndio musical.

Um ano mais velha, Sandy mal tinha feito seis anos quando apareceu com o irmão no lendário programa "Som Brasil", então apresentado por Lima Duarte (1989). Depois disso a dupla só se separaria quase 20 anos anos depois.

Foram duas décadas de dedicação, trabalho duro, turnês, discos, DVDs, gravações de programas, seriado, cinema e novelas. Fora participações em obras ou apresentações com outros artistas. Após a separação, ambos constituíram suas próprias famílias também.

Difícil criticar

Pode-se não gostar ou criticar os irmãos por qualquer coisa, exceto por não serem talentosos e de não terem sido esforçados operários da música brasileira. Não precisavam de nada disso, é bom lembrar.

Também é um pouco difícil criticá-los musicalmente. Já li e ouvi algumas queixas sobre o "timbre" da mezzo-soprano Sandy. Sempre rebato. Pessoalmente, como músico, discordo.

Sandy, 36, não tem, de fato, uma voz "monstruosa", reverberante, potente. Mas, tem uma linda tonalidade, uma textura muito agradável de se ouvir (para o meu gosto), e também uma grande técnica respiratória. Notem que, quando Sandy canta, parece não haver nenhum esforço. As notas saem fáceis.

E, como se diz no jargão musical, todas na "cabeça" (ou seja, não desafina).

Junior, 35 anos, não tem a mesma técnica vocal da irmã, mas também é absolutamente afinado.

Como instrumentista, porém, está talvez uma "oitava" acima de Sandy: é guitarrista (bom), baixista (bom), baterista (ótimo) e tem boa noção de vários outros instrumentos.

Definitivamente é algo louvável nos irmãos: milionários de nascença, não tinham nenhuma necessidade de se "enfunhanharem" por anos a fio em estúdios, programas de TV, gravadoras e turnês.

Mesmo assim, não só fizeram essa opção como nunca foram acomodados.

"Sandy & Junior" é uma dupla que tem estilo próprio e nunca imitou ninguém. Poderiam, quem sabe, ter tentado ser os "Carpenters brazucos", mas jamais se espelharam em outros. Sempre estudaram, praticaram e evoluíram.

Repito, goste-se ou não deles, eles têm algo raro no Brasil: autenticidade.

E depois?

Dito tudo isso, volto à pergunta do título desta coluna. Com o estrondoso sucesso desse temporário retorno, como fica a carreira depois disso? Porque a verdade é que o sucesso da turnê presente cria também um grande "fantasma" a assombrá-los no futuro.

A verdade é que nenhum dos irmãos conseguiu "bombar" de fato uma carreira solo depois da separação em 2008.

Ambos são compositores, gravaram, fizeram e têm feito muitas coisas boas e diferentes na música nos últimos anos. Junior caiu no pop, no rock. Sandy incorreu até no heavy-metal.

Mas, individualmente, não chegam nem perto do frenesi que têm como duo (isso parece valer como atores também).

Por isso essa "megaturnê" pode se tornar tanto um segundo grande divisor de águas na carreira de ambos (o primeiro foi a separação na década passada) como também um tormento futuro.

Depois dela eles terão novamente de escolher seus caminhos e estilos individuais, de se encontrar como solistas e de tentar criar uma identidade musical própria --algo que ainda não conseguiram.

Também precisam decidir se a TV vai seguir fora de cogitação. Podem não ser atores brilhantes, mas têm apelo, carisma e muita experiência, após anos e anos de Globo.

Para o futuro pós-turnê vislumbro três caminhos: eles voltam a seus próprios mundos musicais e pessoais mais modestos em termos de público e fica por isso mesmo; cedem à demanda dos fanáticos e insaciáveis fãs e continuam com esse "revival" da dupla por mais algum tempo; ou simplesmente retornam à paz familiar com suas contas bancárias reforçadíssimas por mais alguns milhões de reais (não que precisassem).

Como são artistas de verdade, como têm sangue musical, acredito que a última opção é a menos provável. E isso é ótimo para a música.

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