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A cada minuto, 3 pessoas cancelam TV paga no Brasil; nos EUA, 6

Fuga de assinantes da TV paga não para de crescer no Brasil; setor terá de se reinventar - iStock
Fuga de assinantes da TV paga não para de crescer no Brasil; setor terá de se reinventar Imagem: iStock
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

15/09/2019 07h02

Em 2019, em média, a cada minuto três pessoas ou famílias cancelam o pacote de de TV por assinatura no Brasil, segundo depuração de dados obtidos no site da Anatel.

Somente entre janeiro e julho, a TV paga no Brasil perdeu cerca de 1 milhão de assinantes, como informou o site "Notícias da TV" no último dia 4. Desde o final de 2014 esse índice já passa de 3 milhões.

Nos EUA a perda de assinantes chega a ser o dobro: 6 por minuto.

No entanto é preciso lembrar que lá há mais de 80 milhões de assinantes, contra 16,5 no Brasil.

Executivos da TV paga e entidades como ABTA (Associação Brasileira de TVs por Assinatura), no entanto, defendem que as principais causas da fuga são a crise econômica e o desemprego (leia nota abaixo).

Mas, há pouca dúvida que o "boom" do streaming no Brasil e no mundo (e seu custo mais baixo) também tem muito a ver com isso.

Em termos de assinantes, a TV paga no país voltou ao número de assinantes que tinha sete anos atrás.

O setor segue com grande concentração de produtores de conteúdo e um modus operandi que já não são aceitos por muita gente. A saber:

- a quantidade abusiva de interrupções na programação, sendo que os intervalos são usados para a TV falar dela própria ou exibir propagandas repetitivas.

- a repetição abusiva da grade, mesmo programa chega a ser exibido quatro vezes no mesmo dia

- valor da mensalidade dos pacotes: um razoável sai na casa dos R$ 170 mensais. Inevitável que as pessoas passem a comparar isso com serviços de streaming —inclusive gratuitos como o YouTube.

Por meio de sua assessoria, a ABTA enviou a seguinte nota à coluna:

"O setor de TV por assinatura, assim como outros, está sendo duramente atingido pela maior crise econômica da história do Brasil. Desde 2014, esta indústria já perdeu 3 milhões de assinantes, principalmente entre os consumidores de baixa renda, mais afetados pelo desemprego.

Se não bastassem os efeitos desta profunda recessão, 15 estados e o DF decidiram a elevar a alíquota do ICMS para s TV por assinatura, dificultando ainda mais o acesso a este serviço a milhares de consumidores.

Além disso, a pirataria vem crescendo assustadoramente e já chega a 4,5 milhões de lares acessando canais de TV por assinatura de forma clandestina no Brasil. Isso provoca um prejuízo de R$ 9 bilhões por ano às empresas do setor e aos governos, que deixam de arrecadar cerca de R$ 1 bilhão por ano em impostos.

E não obstante a todos esses graves problemas, o setor de TV por assinatura ainda enfrenta uma concorrência assimétrica de novas plataformas de distribuição de vídeos online, que não pagam o mesmo volume de impostos e não estão sujeitas às mesmas exigências regulatórias.

Esperamos que a economia e a renda das pessoas voltem a crescer e que as assimetrias tributárias e regulatórias sejam eliminadas, para uma competição mais saudável."

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