Topo

Famosos


Nascida na Cohab, Jeniffer vai usar R$ 250 mil do "PopStar" para ajudar mãe

Globo
Jeniffer Nascimento, campeã da segunda temporada do "PopStar" Imagem: Globo

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

22/11/2018 04h00

Quem colocava Jeniffer Nascimento para dormir na infância era seu pai, Anaildo Nascimento. As canções de ninar não eram nada convencionais: "Meu pai me fazia dormir ouvindo grandes divas internacionais como Whitney Houston, Celine Dion".

"Foi inevitável. Meu futuro não poderia ser diferente", contou a atriz de 25 anos, que venceu a segunda edição do "PopStar" no último domingo (18). 

Ao ser anunciada campeã da disputa, Jeniffer agradeceu a família, que foi em peso ao programa para torcer por ela, e falou diretamente à mãe, Sandra Nascimento. "Vou mudar a vida da minha família. Mãe, pode tirar o apartamento da venda", disse a atriz na ocasião sobre os R$ 250 mil, que recebeu como prêmio.

Jeniffer cresceu na Cohab Itaquera, um conjunto habitacional popular na zona leste de São Paulo. Quando tinha 19 anos e já trabalhava em musicais, ela convenceu os pais a se mudarem para mais perto dos teatros da região central de São Paulo, onde ela sempre estava em cartaz.

"Vendemos o apartamento da Cohab e financiamos outro. Mas em 2016 meu pai foi demitido, faltando cinco meses para sua aposentadoria. As economias dele se foram para segurar as pontas até a aposentadoria. Há mais ou menos um ano pago as prestações do apartamento deles com sacrifício, pois eu e Jean [seu noivo] pagamos aluguel. Agora conseguirei ajudar mais ainda", comemorou Jeniffer, em entrevista ao UOL

Ela vai se casar com Jean Amorim em junho de 2019.

Paulo Belote/Globo
Imagem: Paulo Belote/Globo
Na TV, Jeniffer ficou mais conhecida com seus personagens em "Malhação: Sonhos", entre 2014 e 2015, em "Êta Mundo Bom", em 2016 e "Pega Pega", em 2017, mas sua carreira começou na infância. 

"Faço teatro desde os cinco anos. Aos oito, comecei a trabalhar com publicidade e, com 13, entrei para o teatro musical. A partir daí, ajudei meus pais a pagarem meus cursos e escola. Todo dinheiro que ganhava era investido na minha carreira e no meu conhecimento."

Como morava longe de onde estudava, Jeniffer usava a distância a seu favor. "Fazia teatro, natação e tinha a escola. Morava numa ponta da Linha Vermelha do metrô e o curso era na outra. Eu aproveitava o tempo para fazer a lição de casa", conta.

Dos musicais em que atuou, Jeniffer ficou dez meses em cartaz no Rio com "Hair Spray", em 2010. No período, perdeu todas as aulas às sextas-feiras, já que a peça era de sexta a domingo. Na bagagem ela sempre trazia o uniforme escolar. 

"Quando voltava de ônibus com minha mãe, eu trocava de roupa na rodoviária de São Paulo e ia direto para o colégio. Minha vida por dez meses foi assim, estudando na coxia. Sempre me esforcei para conciliar tudo."

Em janeiro, Jeniffer estreia em "Verão 90", novela das 19h que substituirá "O Tempo Não Para". Ela será Kika, melhor amiga da protagonista Manuzita (Isabelle Drummond). No próximo ano, ela também volta aos palcos como a protagonista de "A Cor Púrpura", versão musical do filme americano de 1985, que conta a história de uma mulher negra no sul dos Estados Unidos, na primeira metade do século 20. 

Há ainda um grande desejo: começar a gravar suas músicas e seguir a carreira de cantora. No domingo, dia em que se sagrou vencedora de "PopStar", ela já participou de um show de Matheus e Kauan, no festival Villa Mix, no Rio.

"Pretendo entrar em estúdio em breve. Nesta semana já tenho reuniões para começar a pensar nos shows e, sem dúvida, seguirei adiante com a carreira de cantora. Não cantava bem quando era criança, era fantasioso, não era possível. Me via mais como atriz porque era extrovertida. É bem inacreditável tudo o que estou vivendo, considerar que hoje é possível encarar isso como futuro, carreira, sustento."

Na segunda-feira (19), em uma participação no "Encontro", ela rebateu as críticas de que não merecia o prêmio. No "PopStar", Jeniffer foi apontada como favorita desde o início da atração. 

"Ser favorita sempre foi um pânico para mim. Tinha medo de enjoarem de mim e não ir para a final. Me cobro e, sendo considerada uma das favoritas, me cobrei duplamente. Sabia que todo domingo as pessoas esperavam se surpreender comigo. Foi o que tentei fazer, trazer algo diferente, mostrar mais um pouco de mim. É um impulso para eu querer ser cada vez melhor, não entrar em zona de conforto. Deu certo", comemora.