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Sobrinha de Boris Casoy, criminóloga comandará série sobre erros da Justiça

Reprodução/TV Record
Ilana Casoy irá apresentar a série "Questão de Justiça" no canal pago AXN Imagem: Reprodução/TV Record

Gilvan Marques

Do UOL, em São Paulo

26/11/2018 04h00

Sobrinha de Boris Casoy e prima de Serginho Groisman, Ilana Casoy sempre acompanhou de longe o trabalho dos parentes famosos e não imaginava um dia atuar na televisão. Criminóloga há dez anos e autora de diversos livros sobre o tema, ela se prepara para comandar, em breve, sua primeira série no canal pago AXN.

"Questão de Justiça" abordará casos em que o julgamento deixou dúvidas sobre a inocência ou não de réus. A série documental, em dez episódios, tem estreia prevista para 2019. Mas foram as redes sociais que acabaram levando a paulistana de 58 anos para a frente das câmeras.

Em 2005, Ilana já discutia casos criminais controversos no extinto Orkut quando chamou a atenção de Gloria Perez. A autora de novelas chegou a trocar mensagens com a criminóloga, que acreditava estar falando com um perfil fake.

“Lógico que eu não acreditei que era a Gloria Perez! Tempos depois, a Leda Nagle me convidou para participar do programa dela e disse que a Gloria tinha me indicado. A Leda disse que iria me levar até ela. Quase desmaiei", lembra Ilana, rindo.

A partir daí, ela conta, as duas iniciaram uma relação “de muita troca”, principalmente sobre casos de polícia. Em 2014, a criminóloga foi colaboradora da autora na série global “Dupla Identidade” (2014), que explorava a mente de um psicopata vivido por Bruno Gagliasso.

As participações na TV, em entrevistas ou debatendo temas relacionados à Justiça, também aumentaram. Ilana afirma, no entanto, que não buscou inspiração no tio ou no primo famosos para sua estreia na TV.  

"Parece que está no sangue, né? Mas para mim o Boris não é o jornalista, nem Serginho o apresentador. Quando estamos juntos, a conversa anda por outros caminhos", diz ela, que reconhece a importância dos dois --parentes de famílias distintas-- em sua formação. 

"Lembro, por exemplo, quando o Boris entrou na minha casa informando que o presidente John Kennedy havia morrido assassinado, em 1963. Claro que eu nem sabia quem era o Kennedy naquela época, mas são coisas marcantes".

Caso Daniella Perez

O caso Daniella Perez, filha de Gloria assassinada em 1992 por Guilherme de Pádua, seu par romântico na novela “De Corpo e Alma”, não deve estar entre os abordados na série, mas Ilana afirma ter conversado muito com a autora sobre os meandros judiciais.  

“Sobre o caso da filha dela já conversamos muito. Fiz várias pesquisas e espero ter ajudado a melhorar o entendimento da Gloria sobre a mente de Guilherme de Pádua", diz Ilana. Em 2017, a novelista lembrou os 25 anos da morte da filha.

Pádua, que foi condenado a 19 anos de reclusão, teve a pena reduzida e acabou deixando a prisão em 2002. No ano passado, se tornou pastor evangélico.

Era da intolerância

Na contramão dos programas policiais que fazem sucesso pedindo penas mais duras para suspeitos de crimes, Ilana afirma que a série deve focar julgamentos que deixaram dúvidas sobre a inocência ou não de réus.

"Estamos produzindo episódios sobre casos em que há uma questão de justiça. Nem sempre sabemos se aquela pessoa é inocente ou não. Não se fala sobre os erros, apenas dos acertos. Então esses casos a gente quer repercutir e discutir", explica.

"A gente vive uma era de intolerância. Então, onde se lê na Constituição o conceito de que ‘o indivíduo é inocente até que se prove o contrário', parece que temos a visão de que a pessoa é culpada até que se prove o contrário. São visões invertidas", avalia.

Um dos casos que será retratado em "Questão de Justiça" é aquele que ficou conhecido como "Maníaco de Guarulhos". Leandro Basílio Rodrigues foi condenado a mais de 111 anos de prisão acusado de matar quatro mulheres para fazer sexo com os cadáveres delas entre os anos de 2007 e 2008. Pela lei brasileira, um condenado não pode ficar mais do que 30 anos preso.

"Existem dúvidas nesse caso. Tem três condenados. Eu fui júri em um deles. Um desses caras está há doze anos preso", conta ela.

Ilana considera que todas as Justiças --no mundo inteiro e não só no Brasil-- têm falhas. "A gente precisa zerar essa cultura, cada um no seu quadrado, de melhorar o sistema para que essas falhas sejam diminuídas."