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Além de Paula, delegado analisou vídeos de outros participantes do "BBB19"

A campeã do "BBB19", Paula Sperling, que prestou depoimento na segunda - Reprodução/GShow
A campeã do "BBB19", Paula Sperling, que prestou depoimento na segunda Imagem: Reprodução/GShow

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

17/04/2019 04h00

O delegado Gilbert Stivanello, titutal da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), responsável pelo inquérito que investiga se houve intolerância religiosa no "BBB19" devido a comentários de Paula sobre a religião de Rodrigo, contou que analisou os comportamentos e declarações de outros participantes. Além da campeã da edição, Isabella, Maycon e Tereza também fizeram alguns comentários considerados polêmicos por parte do público.

"O programa têm pessoas que pagam ´pay-per-view e ficam com muito conteúdo aberto durante 24 horas. Os outros episódios que vieram para nós para análise, nós entendemos que não iam além da liberdade de expressão", conta o delegado.

"São episódios como o posicionamento de uma pessoa lá acerca da política de cotas. Essa pessoa falou a opinião dela, no caso contrária, mas não se manifestou de forma ofensiva a ninguém. Então, no nosso entendimento, a questão da política de cotas, ser a favor ou contra, ainda está amparado pela liberdade de expressão", completa.

Outro momento que chegou à investigação foi quando os brothers discutiram sobre o uso de expressões como "denegrir" e "humor negro". "Tivemos outro episódio que é a questão do vocabulário, hoje em dia palavras como 'denegrir' são questionadas, e lógico, se a pessoa quer ter uma fala zelosa, pode usar a palavra 'desgastar', 'depreciar'. Mas, ainda não vejo um crime em a pessoa falar 'denegrir'", explica.

"Uma questão que percebo é que incomoda alguns grupos ativistas, mas muitas dessas questões são de liberdade de expressão, de educação, temos vários patamares até que se chegue à questão criminal".

O delegado deve encaminhar ao Ministério Público até sexta-feira o relatório conclusivo da investigação sobre as declarações de Paula no programa.

"No momento há um inquérito policial, havendo a denúncia do Ministério Público, ela estará respondendo a um processo. O elemento que nos faltava era o depoimento da Paula e agora nós pensamos que dê para partir para a conclusão. O inquérito já será conduzido para a Justiça essa semana", esclarece Gilbert.

A vencedora do "BBB 19" prestou depoimento na tarde de segunda. A mineira, que faturou R$ 1,5 milhão, chegou à delegacia por volta das 16h e seu depoimento durou mais de duas horas. Ela deixou o local acompanhada da irmã sem dar entrevistas e com o rosto coberto, além de cobrir as janelas do carro.

Entenda o caso

Em conversa realizada no dia 6 de fevereiro, Paula fez uma série de comentários que foram considerados preconceituosos por parte do público do programa. Em papo com Diego e Hariany, a sister disse ter medo de Rodrigo por ele ter contato "com esse negócio de Oxum" e afirmou: "Nosso Deus é mais forte".

Depois que foi eliminado do programa, Rodrigo prestou depoimento, já que a ofensa foi dirigida a ele no programa.

De acordo com o delegado, se considerada culpada, Paula pode pegar até três anos de pena, que varia de um a três anos de reclusão e multa.

Após prestar depoimento, Paula deixa delegacia com o rosto coberto - Francisco Silva/AgNews
Após prestar depoimento, Paula deixa delegacia com o rosto coberto
Imagem: Francisco Silva/AgNews