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Paulo Henrique Amorim é enterrado no Rio em cerimônia com família e amigos

Público puxa gritos de "Lula Livre" e "Fora Bolsonaro" no velório de PHA

UOL Entretenimento

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

11/07/2019 18h17

Paulo Henrique Amorim foi enterrado no final da tarde desta quinta, no Cemitério da Penitência, no bairro do Caju, no Rio, numa cerimônia reservada a familiares e amigos próximos. O jornalista e apresentador morreu aos 76 anos na madrugada de ontem, vítima de um infarto.

Cerca de 40 pessoas acompanharam o cerimonial de despedida na capela ecumênica do cemitério, que teve algumas músicas preferidas do jornalista, escolhidas pela família, tocadas ao violino, chuva de pétalas brancas e projeções de imagens. O cerimonial acabou ao som de Samba do Avião, de Tom Jobim. Em seguida, o cortejo seguiu para o sepultamento ao som de Wave e Eu Sei que Vou te Amar, de Vinicius de Moraes e Jobim.

O velório, na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no centro da cidade, foi marcado pelo tom político. O público cantou o Hino da Independência e depois puxou gritos de "Fora, Bolsonaro" e de "Lula Livre". Paulo Henrique era um ferrenho crítico do governo Bolsonaro e um defensor do ex-presidente Lula.

A irmã do jornalista, Marília, que mora na França, veio ao Brasil para o velório, e estava muito emocionada.

"A gente se adorava. Ele era meu irmão mais velho. Éramos três, minha irmã também já faleceu. Ele era meu herói, uma pessoa muito corajosa, extremamente generoso. Corajoso no embate dele de não abrir mão das ideias dele, do que ele achava que tinha que ser dito, revelado, mostrado. Uma pessoa muito corajosa, muito íntegro nas convicções do trabalho dele. Adorava trabalhar", disse.

Ela também comentou o afastamento de Paulo Henrique do Domingo Espetacular, programa que apresentava desde 2006. A irmã disse que o apresentador já havia perdido outros espaços na mídia por conta de "pressão política".

"Falamos pouco porque estava na França. Ele teve vários casos de perder o lugar dele por pressão política. Ele escreveu pra mim e falou: 'Não se preocupe, você sabe que eu tive isso várias vezes e que eu aguento o tranco'", disse ela, que citou outros casos em que o apresentador teria sido afastado de suas funções supostamente por críticas a políticos.

"Me lembro que na Band ele tinha acabado de receber dois prêmios por dois programas [que apresentava]: um era o jornal das 20h e outro era um programa de entrevistas chamado Fogo Cruzado. Poucos dias depois do prêmio, ele perdeu o programa por pressão do [ex-presidente] Fernando Henrique. Ele já conhecia isso, mas claro que sempre é um baque forte. Parece que dessa vez foi demais e ele não aguentou".

No local, foram colocadas mais de 15 coroas de flores, com as mais diversas homenagens, como das diretorias do SBT e da Record TV, e do ex-presidente Fernando Collor.

Amorim trabalhava na Record desde 2003, onde apresentou o Jornal da Record - 2ª edição, ajudou a criar o Tudo a Ver e esteve à frente do Domingo Espetacular até junho passado, quando foi afastado da revista eletrônica em um momento em que fazia fortes críticas ao governo de Jair Bolsonaro (PSL). Em nota, a Record informou que ele permanecia na casa à disposição para novos projetos.

A emissora divulgou uma nota de pesar em que relembrou a trajetória profissional do apresentador: "A Record TV lamenta profundamente o falecimento de Paulo Henrique Amorim e se solidariza com os amigos, familiares e admiradores. A todos, nossas sinceras condolências".

Amorim deixa uma filha, dois netos e a mulher, a jornalista Geórgia Pinheiro.

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