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Saci e Cuca do Sítio original se reencontram como casal em Bom Sucesso

Romeu Evaristo e Stella Freitas são Fabrício e Terezinha em Bom Sucesso - Globo/João Cotta
Romeu Evaristo e Stella Freitas são Fabrício e Terezinha em Bom Sucesso Imagem: Globo/João Cotta

Guilherme Machado

Do UOL, em São Paulo

10/08/2019 04h00

Na novela Bom Sucesso, a literatura é tema central, presente em diversas tramas. Tanto que um dos principais cenários é uma editora de livros. Mas não é só nas prateleiras da Prado Monteiro que personagens clássicos fazem a festa.

No bairro de Paloma (Grazi Massafera), dois personagens que adoram fofocar, Terezinha e Fabrício, já são parte do imaginário popular. Isso porque seus atores, Stella Freitas e Romeu Evaristo, interpretaram, na versão original do Sítio do Pica-Pau Amarelo, exibida de 1977 até 1986, os personagens Cuca e Saci Pererê.

Anos depois de interpretarem as figuras clássicas do folclore brasileiro, representadas na obra de Monteiro Lobato (1882-1948), Stella e Romeu nunca mais haviam trabalhado juntos e, agora, não escondem a alegria de dividir a cena novamente.

"É muito engraçado. A gente nunca mais havia se reencontrado em cena, se via de vez em quando, encontrava por acaso, mas nunca mais tinha trabalhado com ele. Estou me divertindo muito. Foram anos dividindo espaço, é muito prazeroso", diz Stella ao UOL.

A alegria dela é partilhada pelo colega, que lembra, inclusive, um episódio que ilustra bem a união do elenco do Sítio.

"Para mim foi uma das coisas mais formidáveis. Tem uma história que só nós sabíamos: fizemos um episódio chamado 'Cupido Maluco', sobre um anjinho que caía do céu e flechava todo mundo. Naquele episódio, tinha muita externa e, no Rio de Janeiro, chovia demais. Foi quando o [diretor Geraldo] Casé resolveu: vamos gravar tudo em estúdio. Nós fizemos 68 cenas em um sábado e 76 no domingo. A Stella até passou mal. Ter a possibilidade de contar isso hoje para mim é um marco", comemora.

Stella Freitas e Romeu Evaristo foram a Cuca e o Saci na primeira versão de O Sítio do Pica-Pau Amarelo - Reprodução/Globo/Montagem UOL
Stella Freitas e Romeu Evaristo foram a Cuca e o Saci na primeira versão de O Sítio do Pica-Pau Amarelo
Imagem: Reprodução/Globo/Montagem UOL

Ambos guardam memórias muito afetivas do tempo em que estiveram no set das aventuras da boneca Emília e sua turma. Stella fala em especial do carinho que tinham por Geraldo Casé (1928-2008), diretor e um dos idealizadores da atração.

"A lembrança mais forte é do próprio Casé, que era uma pessoa muito especial. E fui parar no Sítio por causa dele. Eles abriram um teste para a atriz que faria a Emília e fui chamada para participar. Eu fui sem saber de nada, e não podia ser a Emília porque eu era muito alta. Tínhamos uma relação muito legal com o Casé, ele criou aquele Sítio com paixão e talento. Criou praticamente uma família."

Os dois atores contam que ainda hoje sentem o carinho das pessoas nas ruas pelos personagens. "Muita gente fala para mim: 'Eu tinha medo de você!'. É engraçado. Foi interessante viver essa experiência com aquelas pessoas todas, muito queridas. E infelizmente a maioria já se foi. Mas quem assistiu nunca vai esquecer", diz Stella.

"A maior lembrança que tenho é que ali existia uma família em que o Saci entrou sem querer. A melhor frase que falo na história é quando o Saci fica preso uns dez dias no Sítio, chega para o tio Barnabé e solta: 'É melhor ser amigo do Saci do que dono do Saci'. Era um programa fantástico, místico, com cenas inesquecíveis. Era muito rico para mim, um garoto que veio da Baixada [Fluminense] entrar nesse cenário de literatura. O primeiro Sítio foi muito forte. Todos os dias ainda encontro gente que me fala sobre ele", relembra Romeu Evaristo.

Amor pela literatura

A biblioteca de Alberto (Antonio Fagundes), um dos cenário de Bom Sucesso - Globo/Ellen Soares
A biblioteca de Alberto (Antonio Fagundes), um dos cenário de Bom Sucesso
Imagem: Globo/Ellen Soares

O fato de a atual trama das 19h, escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm, abordar a literatura como um de seus pontos principais, também é um ponto de grande alegria para os atores.

"Estou adorando essa novela, e um dos motivos é esse. É muito raro uma novela que aborde a literatura, ainda mais dessa forma tão gostosa. Estamos muito felizes. A história é muito bem escrita, emocionante e se parece com o povo brasileiro. Falar de literatura pode soar elitista, mas não é. É uma novela inclusiva", afirma Stella.

Para Romeu, a conexão vai além dos livros e se confunde, inclusive, com sua própria história: ele nasceu na Penha, zona norte do Rio, bairro próximo a Bonsucesso, que tem uma conexão forte com a região.

"Estou adorando fazer a novela e viver um personagem que mora em Bonsucesso. Tive a possibilidade de frequentar o Cacique [de Ramos, famoso bloco de Carnaval] no final da década de 1970, onde sempre acontecia uma roda de samba. Foi quando nós vimos surgir o Fundo de Quintal. E hoje estou fazendo um personagem que frequenta justamente o Cacique de Ramos. Tudo isso junto, encontrar a Stella, relembrar o Cacique, voltar no tempo, reviver o auge do Bonsucesso... Para mim é muito legal."

Agora, focados em seus novos personagens, eles têm as melhoras expectativas para Bom Sucesso. Stella, que acaba de ser indicada ao prêmio Shell e ao prêmio Botequim Cultural de melhor atriz pela peça As Crianças, frisa que o casal, formado pelos dois fofoqueiros de plantão, tem uma presença pequena na história, mas com chances de crescer.

"Lógico que a gente sabe que são personagens periféricos. Mas acho que, conforme o andamento da novela, há chances de fazermos coisas legais. De qualquer forma, é divertido!", encerra.

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